Estudo da USP revela que população miscigenada do Brasil pode ter longevidade superior

Pesquisadores analisam supercentenários e suas características genéticas.

Um estudo da USP sugere que a miscigenação no Brasil pode contribuir para a longevidade e qualidade de vida.

Os resultados de uma pesquisa recente da Universidade de São Paulo (USP) destacam a relação entre a miscigenação da população brasileira e a longevidade. A análise de 160 indivíduos com mais de 95 anos, incluindo 20 supercentenários, sugere que a variabilidade genética trazida pela mistura de diferentes etnias pode ser um fator crucial para viver mais e com qualidade.

A importância da genética na longevidade

O estudo, publicado no periódico Genomic Psychiatry, começou com a investigação de idosos que se recuperaram da Covid-19. Com o tempo, o foco se ampliou para entender o que permite que algumas pessoas vivam até mais de 110 anos, um fenômeno que intriga os pesquisadores. O pesquisador Mateus Vidigal explica que a pesquisa quer desvendar os segredos genéticos por trás da longevidade.

Fatores que contribuem para a longevidade

Os pesquisadores identificaram que, além de fatores ambientais, a genética desempenha um papel fundamental. Entre os achados, estão:
Mistura genética: A combinação de ancestrais europeus, africanos e nativo-americanos parece proporcionar benefícios para a saúde.
Saúde em família: Exemplos de famílias com vários membros que ultrapassam os 100 anos reforçam o caráter genético da longevidade.

  • Genes associados: Alguns genes identificados em outras populações longevas, como a europeia, também se repetem nos supercentenários brasileiros, com peculiaridades que podem ser atribuídas à diversidade genética.

Como a pesquisa avança

O Genoma USP busca sequenciar os genomas dos participantes para identificar quais genes estão relacionados à longevidade. A ideia é que, a partir dessas informações, seja possível desenvolver intervenções que possam beneficiar até mesmo aqueles que não possuem os mesmos padrões genéticos vantajosos.

O futuro da longevidade no Brasil

O Brasil se destaca nos rankings globais de longevidade, superando países tradicionalmente conhecidos por seus idosos saudáveis, como o Japão. A pesquisa não apenas busca entender o passado, mas também construir um futuro em que mais pessoas possam desfrutar de uma vida longa e saudável.

A relevância desses achados pode ser enorme, não apenas para o Brasil, mas para o mundo, ao se considerar a crescente população idosa e a necessidade de estratégias que promovam a saúde e o bem-estar nesta fase da vida.