Aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth pode alterar cadeia global de minerais estratégicos para tecnologia

A mineradora brasileira Serra Verde foi adquirida pela USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões, reforçando a importância do Brasil no mercado global de terras raras.
Entenda a compra da mineradora brasileira de terras raras pela USA Rare Earth
A mineradora brasileira de terras raras Serra Verde foi adquirida pela empresa americana USA Rare Earth em uma operação avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões, anunciada em 20 de fevereiro de 2026. Este movimento acontece em um contexto global de esforços dos Estados Unidos e seus aliados para reduzir a dependência da China no fornecimento desses minerais críticos, essenciais para tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.
Detalhes da operação e sua estrutura financeira
O acordo prevê a aquisição de 100% da Serra Verde, que detém a mina e a planta de processamento Pela Ema, localizada no estado de Goiás. O pagamento será realizado com US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth, totalizando o valor aproximado da negociação. O fechamento está previsto para o terceiro trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias e outras condições usuais de mercado.
Importância estratégica da mina Pela Ema no mercado internacional
A mina Pela Ema é considerada um ativo estratégico porque é o único produtor fora da Ásia capaz de fornecer os quatro principais elementos magnéticos de terras raras, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. A USA Rare Earth destaca que até 2027 a Serra Verde deverá responder por mais de 50% da oferta global de terras raras pesadas fora da China, alterando significativamente o mapa mundial de fornecimento desses minerais.
Impacto no cenário econômico e tecnológico brasileiro
Para o Brasil, o negócio reafirma a relevância dos seus recursos minerais no contexto global. No entanto, o acordo também levanta questionamentos sobre a agregação de valor no país, uma vez que as etapas industriais mais avançadas, como a fabricação de ímãs permanentes usados em setores estratégicos, tendem a ser concentradas no exterior. A Serra Verde iniciou produção comercial em 2024 após investimentos superiores a US$ 1,1 bilhão, com expectativa de alcançar capacidade plena até 2027 e potencial expansão futura.
Perspectivas futuras e cadeia integrada fora da Ásia
Com essa aquisição, a USA Rare Earth visa criar uma cadeia integrada que vai desde a mineração até a produção de ímãs permanentes fora da Ásia. A empresa projeta que a operação combinada poderá gerar até US$ 1,8 bilhão em EBITDA anual até 2030, ainda que esses números dependam da execução dos projetos e condições de mercado. O contrato firmado inclui também uma previsão de venda de 100% da produção inicial por 15 anos, com pisos de preços definidos, o que reduz o risco de volatilidade para os investidores.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: David Becker





