Evangelina Ribeiro Pereira: uma nonagenária fascinada por física quântica

A trajetória de uma mulher que desafiou convenções e viveu plenamente até os 92 anos

Evangelina Ribeiro Pereira: uma nonagenária fascinada por física quântica
Evangelina Ribeiro Pereira, uma vida de curiosidade. Foto: Arquivo pessoal

Evangelina Ribeiro Pereira morreu aos 92 anos, conhecida por sua curiosidade e amor pela física quântica.

Evangelina Ribeiro Pereira: uma vida de curiosidade e resistência

Evangelina Ribeiro Pereira, conhecida como Duda, faleceu aos 92 anos, na tarde de quarta-feira (3), em seu apartamento em Higienópolis, São Paulo. A nonagenária era uma figura admirada por sua saúde e curiosidade intelectual, desafiando as normas ao recusar medicamentos e manter-se ativa até seus últimos dias.

Nascida em um palacete na famosa avenida, Duda cresceu em um ambiente que refletia a aristocracia cafeeira do Brasil. Sua infância em um dos casarões históricos moldou sua visão de mundo. Ao longo da vida, ela se interessou por física quântica, discutindo temas complexos e contemporâneos como a inteligência artificial, que a fascinavam.

Um legado familiar e uma vida ativa

Evangelina não apenas se destacou por sua curiosidade, mas também por sua tenacidade. Ficou viúva aos 41 anos, após a morte trágica de seu marido, o engenheiro Paulo Fabio Pereira, o que a levou a se reinventar. Com três filhos pequenos, Duda criou um ateliê caseiro de tricô, ensinando a técnica à primogênita Beatriz, transformando a paixão em uma fonte de renda.

Com um espírito comunitário, Duda se uniu a amigas do Grupo Renovação Cristã durante a ditadura militar, ajudando perseguidos políticos a escapar do país. Sua coragem e determinação foram características marcantes, assim como a forte influência de sua família, incluindo seu cunhado, o publicitário Marcus Pereira.

Amor pelas artes e pela educação

Duda sempre teve uma profunda paixão pela cultura e pelas artes. Seu filho, Paulo Ribeiro, lembrou como as discussões sobre os filmes assistidos juntos moldaram sua visão sobre a vida e a arte. Ele se tornou um renomado diretor de arte, inspirado pelas conversas que tinha com a mãe após assistirem a clássicos do cinema.

Além de seu amor pelo cinema, Duda sempre buscou entender o mundo ao seu redor. Mesmo após a pandemia, quando sua rotina mudou, ela se manteve ativa no que lhe interessava, explorando novas ideias e conhecimentos.

O impacto de uma vida inspiradora

A vida de Evangelina Ribeiro Pereira foi marcada por uma busca incessante por conhecimento e por um engajamento social significativo. Sua história é um testemunho de como a curiosidade e a determinação podem moldar uma vida rica e inspiradora. Com 92 anos, Duda deixa um legado de amor pela vida, pela ciência e pela arte, que continuará a inspirar aqueles que a conheceram.

A memória de Duda permanecerá viva nas histórias contadas por seus filhos e netos, que sempre se lembrarão de sua vitalidade e de suas paixões. Seu legado é um exemplo de como a idade não deve limitar o entusiasmo pela vida e pela aprendizagem.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Arquivo pessoal