Evidências de bipedalismo em ancestral humano de 7 milhões de anos

Estudo revela novas informações sobre os primeiros passos da humanidade.

Evidências de bipedalismo em ancestral humano de 7 milhões de anos
Comparação de crânio, ulna e fêmur. À esquerda, os de um chimpanzê; no centro, o Sahelanthropus tchadensis; e, à direita, os de um Homo sapiens. Foto: Comparação de crânio, ulna e fêmur.

Estudo revela que o Sahelanthropus tchadensis, ancestral humano, pode ter caminhado ereto há 7 milhões de anos.

A recente pesquisa sobre o Sahelanthropus tchadensis, um dos mais antigos ancestrais humanos conhecidos, trouxe à tona novas evidências que indicam que essa espécie, que viveu há cerca de 7 milhões de anos, já era capaz de caminhar ereta. Essa descoberta não apenas reforça a ideia de que o bipedalismo é uma característica evolutiva fundamental da nossa linhagem, mas também sugere que essa habilidade pode ter surgido muito antes do que se pensava anteriormente.

Um verdadeiro quebra-cabeça evolucionário

Os fósseis do Sahelanthropus foram encontrados no norte do Chade, e desde então, cientistas têm estudado a possibilidade de que este hominínio, apelidado de Toumaï, caminhava como os humanos modernos. Uma nova análise, publicada na revista Science Advances, apresenta dados que corroboram essa hipótese, destacando características ósseas que se assemelham às dos humanos.

Análise detalhada das características ósseas

Os pesquisadores focaram em aspectos específicos do fêmur e do crânio do Sahelanthropus, que mostram:
Torção Natural do Fêmur: Semelhante à dos humanos, que ajuda na postura ereta e na locomoção sobre dois pés.
Protuberância no Osso da Perna: Indica adaptações musculares que suportam a posição bípede.

  • Tubérculo Femoral: Um elemento crucial que conecta a pelve ao fêmur, essencial para a bipedalidade.

Essas características, segundo Scott Williams, morfologista evolutivo e autor do estudo, são fundamentais para afirmar que o Sahelanthropus era bípede. Contudo, a interpretação é controversa e não encerra o debate sobre a locomoção dos hominínios primitivos.

A controvérsia permanece

Embora a nova pesquisa ofereça evidências consistentes, especialistas como Roberto Macchiarelli ainda levantam questionamentos sobre a validade das conclusões. Macchiarelli argumenta que as proporções corporais do Sahelanthropus são mais semelhantes às de símios, e que o fêmur pode ter sido deformado ao longo do tempo, dificultando a análise precisa das suas características.

Caminhos futuros para a pesquisa

Os pesquisadores, Franck Guy e Guillaume Daver, que já haviam sugerido anteriormente a possibilidade de bipedalismo no Sahelanthropus, expressaram satisfação com as novas evidências, mas também reconhecem que a descoberta de novos fósseis será crucial para resolver definitivamente as questões em aberto. Eles planejam retornar ao deserto do Chade em busca de novos achados que possam elucidar ainda mais a história da evolução humana.

Fonte: www1.folha.uol.com.br