Ex-governador revela repasse de R$ 755 milhões do Mato Grosso ao Banco Master

José Pedro Taques detalha recursos públicos destinados a fundos vinculados ao Banco Master durante depoimento à CPI do Crime Organizado

Ex-governador revela repasse de R$ 755 milhões do Mato Grosso ao Banco Master
Ex-governador José Pedro Taques durante depoimento à CPI do Crime Organizado Foto: CPI do Crime Organizado

Ex-governador José Pedro Taques afirma que Mato Grosso repassou R$ 755 milhões a fundos ligados ao Banco Master desde 2023.

Contexto dos repasses ao Banco Master em Mato Grosso

O ex-governador José Pedro Gonçalves Taques afirmou durante seu depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, em 25 de março de 2026, que o estado de Mato Grosso repassou pelo menos R$ 755 milhões a estruturas ligadas ao Banco Master desde 2023. Essas quantias derivam de empréstimos consignados e repasses públicos a fundos financeiros vinculados ao banco comandado por Daniel Vorcaro. A revelação traz à tona a complexa relação entre o governo estadual e entidades financeiras privadas, destacando o impacto desse vínculo na gestão dos recursos públicos.

Detalhes sobre os valores e fundos envolvidos

Segundo Taques, o montante total se divide em aproximadamente R$ 308 milhões oriundos de um acordo tributário com a empresa de telecomunicações Oi, e R$ 447 milhões destinados a fundos relacionados à rodovia BR-163. Entre os fundos mencionados estão Royal Capital e Lotte World, que receberam cerca de R$ 154 milhões cada. Estes fundos são administrados por gestoras financeiras ligadas ao Banco Master, como a Reag, que tem sido alvo de investigações por possíveis fraudes. A participação dessas entidades financeiras evidencia a complexidade nas operações envolvendo recursos públicos e fundos privados.

A concessão da BR-163 e os impactos financeiros

A concessão da rodovia BR-163, administrada pela estatal MTPAR através da concessionária Nova Rota Oeste, envolve diretamente os repasses destacados. De acordo com o ex-governador, R$ 447 milhões foram depositados em um fundo criado pela MTPAR, porém, sob gestão da Reag, ligada ao Banco Master. Esse modelo administrativo levanta dúvidas sobre a transparência e eficiência da aplicação dos recursos públicos no setor de infraestrutura estadual. A nomeação de Luiz Carlos Moreira Lima, sócio da Reag, para o conselho administrativo da concessionária reforça a interligação entre os agentes públicos e privados nessa operação.

Papel de José Pedro Taques e investigações em curso

Embora tenha sido governador de Mato Grosso, Taques participou da CPI na condição de advogado contratado por sindicatos e entidades representativas dos servidores estaduais. Seu trabalho consiste em investigar supostas irregularidades nos descontos de empréstimos consignados, o que o conduziu a expor os repasses ao Banco Master. Essa atuação reforça a importância do controle social e jurídico sobre a gestão pública, sobretudo em temas que envolvem fundos financeiros e concessões públicas. A CPI segue apurando detalhes e verificando responsabilidades relacionadas às operações financeiras envolvendo o Banco Master.

Repercussões e resposta do governo do Mato Grosso

Até o momento, o governo de Mato Grosso não respondeu oficialmente às declarações feitas pelo ex-governador José Pedro Taques durante a CPI. O silêncio institucional gerou questionamentos entre autoridades e a sociedade sobre a transparência na gestão dos recursos públicos e a condução de investimentos em fundos financeiros. A continuidade das investigações é fundamental para esclarecer os fatos e garantir a correta aplicação dos valores públicos, além de coibir possíveis irregularidades no âmbito estadual.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: CPI do Crime Organizado