Estudo revela barreiras estruturais e racismo que limitam integração e acesso ao mercado formal

Pesquisa da USP destaca exclusão social e dificuldades enfrentadas por vendedores ambulantes africanos no bairro do Brás, em São Paulo.
Exclusão social vendedores ambulantes africanos no Brás em São Paulo
A exclusão social vendedores ambulantes africanos no bairro do Brás, em São Paulo, evidencia um cenário de desafios estruturais que limitam a integração desses trabalhadores. A pesquisa defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP analisou a realidade dos imigrantes africanos no Largo da Concórdia, apontando que o comércio informal é muitas vezes a única alternativa de sobrevivência para jovens migrantes do Senegal e Nigéria. O sociólogo moçambicano Abobacar Mumade Ali, responsável pelo estudo, afirma que o desconhecimento da língua portuguesa e o medo de denunciar abusos dificultam o acesso a direitos básicos.
Barreiras linguísticas e legais que impedem a formalização e a inclusão
Um dos principais obstáculos enfrentados pelos vendedores ambulantes africanos é a barreira linguística, especialmente o domínio insuficiente do português. Essa dificuldade restringe o acesso a empregos formais e serviços públicos. Além disso, a complexidade do processo de legalização contribui para o medo de fiscalização e repressão, mantendo-os em uma situação de vulnerabilidade e exclusão. O estudo destaca que o casamento com brasileiras, seja por vínculo afetivo ou conveniência documental, surge como uma estratégia para garantir a permanência regular no país.
Racismo, xenofobia e as consequências na economia informal urbana
Os entrevistados relataram casos frequentes de racismo e xenofobia que reforçam a segregação social e econômica dos imigrantes africanos. Esses preconceitos sustentam a permanência desses trabalhadores em espaços periféricos da economia, como o comércio ambulante no Brás. Essa realidade não apenas restringe as oportunidades, mas também afeta diretamente o convívio social e a qualidade de vida desses indivíduos, que buscam melhores condições de vida e sustentação para suas famílias no país de origem.
Redes de solidariedade e estratégias de resistência entre imigrantes no Brás
Para enfrentar o isolamento e a exclusão, os vendedores ambulantes africanos recorrem a redes de associativismo e grupos em aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, que funcionam como espaços de troca de informações, acolhimento e apoio mútuo. O Largo da Concórdia, com seu intenso fluxo de consumidores e fácil acesso por transporte público, é um importante ponto de encontro que favorece a interação entre imigrantes e brasileiros, servindo como um espaço de possível aceitação social e intercâmbio cultural.
Políticas públicas e a importância do ensino da língua portuguesa para inclusão social
A conclusão do estudo reforça a necessidade urgente de ações governamentais específicas para promover a inclusão social desses trabalhadores. Entre as recomendações está a implementação de políticas públicas focadas no ensino da língua portuguesa, visando quebrar barreiras que impedem o acesso ao mercado formal e a superação do isolamento. A integração plena dos vendedores ambulantes africanos depende de um compromisso social mais amplo para garantir direitos, combater o preconceito e valorizar a diversidade cultural no contexto urbano paulistano.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: • Divulgação USP / Foto: 2RPD2015- Wikimedia





