Operação militar síria em Aleppo avança para retirar forças curdas de Sheikh Maksoud, aprofundando divisões políticas após cessar-fogo falho

O exército da Síria intensificou a expulsão de combatentes curdos do bairro Sheikh Maksoud em Aleppo, após cessar-fogo fracassado e recrudescimento da violência.
Expulsão de combatentes curdos avança no bairro Sheikh Maksoud em Aleppo
O exército da Síria intensificou neste sábado, 10, a expulsão dos combatentes curdos do bairro Sheikh Maksoud, em Aleppo, a segunda maior cidade do país. Após o cessar-fogo firmado no início da semana não ser cumprido integralmente, as forças governamentais sírias passaram a realizar uma operação terrestre para expulsar os grupos remanescentes de combatentes curdos, prolongando os confrontos na região.
Dezenas de homens, mulheres e crianças foram vistos deixando o bairro a pé e sendo encaminhados para abrigos como deslocados internos. Autoridades locais identificaram membros da força de segurança curda Asayish entre os capturados, embora o próprio grupo negue que combatentes tenham sido retirados, afirmando que todos os deslocados são civis. Fontes de segurança indicam que comandantes e seus familiares foram transportados secretamente ao nordeste da Síria durante a noite.
Contexto político e tensões entre o governo sírio e as forças curdas
A ofensiva do exército da Síria reflete as profundas divisões políticas no país, onde o presidente Ahmed al-Sharaa enfrenta resistência das forças curdas, que temem o governo liderado por islamitas. As forças curdas administram desde o início da guerra uma zona semiautônoma no nordeste, e resistem à integração na estrutura governamental centralizada que emergiu após a deposição de Bashar al-Assad em 2024.
As negociações para incorporar as forças curdas ao novo governo estão paralisadas, o que resultou no aumento dos confrontos em Aleppo desde terça-feira, 6, causando pelo menos nove mortes de civis. A retomada do bairro Sheikh Maksoud representa o enfraquecimento do controle curdo na cidade e um movimento estratégico do exército sírio para reafirmar sua autoridade.
Impacto humanitário e deslocamento de civis em Aleppo devido aos combates
Os combates em Aleppo provocaram a fuga de mais de 140 mil pessoas, segundo relatos das autoridades locais. O fechamento de rodovias importantes e do aeroporto internacional da cidade tem agravado a situação humanitária, dificultando o acesso a suprimentos e evacuações.
As operações militares causaram danos significativos à infraestrutura civil, incluindo ataques a hospitais onde civis buscavam abrigo, intensificando as denúncias de bombardeios indiscriminados. Enquanto o exército sírio nega essas acusações, as forças curdas responsabilizam o governo pelos ataques às zonas civis.
Mediação internacional e perspectivas para o cessar-fogo na Síria
Em meio à escalada do conflito, o enviado dos Estados Unidos, Tom Barrack, reuniu-se com Ahmed al-Sharaa em Damasco para apelar pela contenção e retorno ao diálogo entre as partes. A equipe do secretário de Estado está pronta para mediar a crise, visando consolidar o cessar-fogo e possibilitar uma retirada pacífica das forças curdas de Aleppo.
No entanto, a resistência curda ao acordo e o avanço militar sírio indicam que as negociações ainda enfrentam obstáculos significativos. A continuidade dos combates em áreas urbanas densamente povoadas coloca em risco a estabilidade regional e o futuro político da Síria.
Conflitos sectários e efeitos prolongados da guerra na Síria
O episódio em Aleppo é parte de um quadro maior de violência sectária e instabilidade no país, que acumula 14 anos de guerra civil. Em 2025, o país presenciou episódios de violência intensa contra minorias alauíta e drusa, com milhares de mortos e execuções sumárias.
O controle territorial por diferentes grupos armados mantém o país fragmentado, dificultando a reconstrução nacional e a reconciliação política. A ofensiva em Aleppo destaca as complexas dinâmicas de poder e as tensões contínuas que perpetuam o ciclo de violência e deslocamento na Síria.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Reuters





