Conflito na região impacta embarques em março, mas trimestre acumula crescimento de 6,8% em vendas para o Conselho de Cooperação do Golfo

A exportação do agronegócio ao Golfo recuou 25% em março devido à guerra no Oriente Médio, afetando especialmente milho e açúcar.
Impacto da guerra no Oriente Médio na exportação do agronegócio ao Golfo
A exportação do agronegócio ao Golfo enfrentou uma queda expressiva de 25,38% em março de 2026 devido à guerra no Oriente Médio. Esse conflito afetou diretamente os fluxos comerciais entre o Brasil e os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), um bloco econômico formado por seis países árabes. Mohamad Orra Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, destaca a preocupação com a redução nas exportações e a necessidade de buscar alternativas para minimizar os impactos no comércio bilateral.
Desempenho dos principais produtos exportados ao CCG
Apesar da queda em março, o trimestre acumula aumento de 6,8% nas vendas, totalizando US$ 1,44 bilhão. O frango, principal produto exportado para a região, teve recuo de 13,80% no mês, porém apenas 2,32% no trimestre, somando US$ 619,12 milhões. O açúcar, segundo maior item, recuou 43,37% em março, mas cresceu 26,41% no acumulado trimestral, alcançando US$ 363,11 milhões. Por outro lado, a carne bovina apresentou alta de 23,87% no mês mais intenso do conflito, somando US$ 47,75 milhões, e 65,29% no trimestre, com US$ 194,56 milhões. O café também se destacou, com alta de 34,24% em março e 64,3% no trimestre.
O milho e a baixa das importações de fertilizantes afetados pelo conflito
O milho sofreu o impacto mais severo, praticamente deixando de ser exportado ao bloco em março, com queda de 99,96% para US$ 0,03 milhão. No trimestre, a redução foi menor, de 5,8%, atingindo US$ 61,22 milhões. Paralelamente, o Brasil diminuiu em 51,35% as importações de fertilizantes vindos do CCG no primeiro trimestre, região responsável por cerca de 10% dos insumos adquiridos pelo agronegócio brasileiro. Essa retração preocupa o setor produtivo, que depende desses insumos para manter a produtividade agrícola.
Consequências para o agronegócio e o comércio bilateral
O conflito no Oriente Médio trouxe desafios para o agronegócio brasileiro, que vê seus principais mercados na região afetados pela instabilidade. A redução nas exportações de itens estratégicos e nas importações de fertilizantes pode impactar a cadeia produtiva e os preços. A dependência do Brasil para abastecer os países árabes, que necessitam dos alimentos excedentes brasileiros, ressalta a importância da busca por soluções que mitiguem os efeitos da guerra e mantenham o fluxo comercial.
Panorama histórico e projeções para o futuro das relações comerciais
No ano anterior, o Brasil vendeu US$ 21,3 bilhões em produtos para os países árabes, com destaque para açúcar, carnes, milho e minério de ferro. O agronegócio representa aproximadamente 75% dessas exportações. O cenário atual de guerra no Oriente Médio enfatiza a necessidade de diversificação de mercados e estratégias para garantir a estabilidade das exportações brasileiras. O acompanhamento contínuo dos desdobramentos políticos e econômicos será fundamental para planejar ações que preservem a competitividade do setor.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Reuters







