Crescimento dos embarques em maio reflete avanço dos cafés canéforas e expectativa de retomada no segundo semestre

Exportações de café crescem 3,6% em maio com nova safra; receita cambial registra queda de 16%. Alemanha e EUA são principais compradores.
Crescimento das exportações de café em maio reflete entrada da nova safra brasileira
As exportações de café registraram crescimento em maio de 2026, somando 3,089 milhões de sacas de 60 quilos, representando um aumento de 3,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Este avanço é atribuído principalmente à entrada da nova safra brasileira, com destaque para os cafés canéforas, que incluem as variedades conilon e robusta, conforme análise do presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira.
Análise do desempenho acumulado das exportações no primeiro semestre
Embora maio tenha apresentado crescimento, o acumulado dos cinco primeiros meses do ano mostra retração nas exportações brasileiras de café. Entre janeiro e maio de 2026, foram exportadas 14,745 milhões de sacas, o que representa queda de 12,4% em relação ao período equivalente de 2025. A receita cambial também sofreu redução significativa, caindo 14,6% e alcançando US$ 5,552 bilhões. Essa queda é explicada pela menor safra em 2026 e pelo ritmo acelerado de embarques registrado em 2025.
Impacto dos cafés canéforas e arábica nos fluxos de exportação
No contexto da composição das exportações, o café arábica permanece dominante, representando 75,5% dos embarques com 11,126 milhões de sacas, embora tenha registrado uma queda de 21,3% no volume. Em contrapartida, os cafés canéforas destacaram-se com crescimento expressivo de 86,5%, totalizando 1,891 milhão de sacas, refletindo a entrada da nova safra e a maior demanda por essas variedades.
Principais mercados e distribuição geográfica dos embarques
A Alemanha manteve a posição de maior importadora do café brasileiro, adquirindo 1,911 milhão de sacas, equivalente a 13% do total exportado no período, apesar de uma redução de 10% no volume em comparação ao ano anterior. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar com 1,771 milhão de sacas, representando 12% dos embarques, mas sofreram uma queda acentuada de 38,4%. Itália, Bélgica e Japão também figuram entre os principais mercados, com desempenho variado.
Infraestrutura portuária e desafios logísticos para o setor cafeeiro
O Porto de Santos consolidou-se como o principal ponto de saída do café brasileiro, respondendo por 72,8% dos embarques entre janeiro e maio de 2026, totalizando 10,728 milhões de sacas. O complexo do Rio de Janeiro e o Porto de Paranaguá completam o ranking com participações menores. Apesar desta concentração, desafios como custos logísticos elevados, gargalos portuários, e impactos de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, especialmente nos fretes marítimos, ameaçam a expansão das exportações.
Perspectivas para o segundo semestre e fatores que podem limitar o crescimento
De acordo com Márcio Ferreira, o cenário para o segundo semestre é de expectativa de crescimento nas exportações, especialmente com a colheita dos cafés arábicas. No entanto, fatores como a infraestrutura logística nacional, as incertezas da política comercial internacional, e os efeitos dos conflitos globais poderão restringir a aceleração dos embarques. A qualidade da safra e o clima favorável na maior parte do cinturão cafeeiro são pontos positivos que sustentam a projeção.
Importância dos cafés diferenciados e sua participação no mercado
Os cafés diferenciados, que englobam produtos de qualidade superior, certificados e especiais, representaram 17,6% das exportações brasileiras entre janeiro e maio de 2026. Apesar da queda de 30,1% no volume exportado, esses cafés geraram receita cambial de US$ 1,124 bilhão, o que corresponde a 20,2% do faturamento total do setor. Este segmento é estratégico para a valorização do café brasileiro no mercado internacional.
Este panorama revela um cenário de recuperação parcial e desafios estruturais para as exportações de café do Brasil em 2026, com a nova safra como fator fundamental para a retomada do crescimento no setor.
Fonte: www.noticiasagricolas.com.br





