Exportações de café crescem 3,6% em maio com nova safra

O avanço nas exportações reflete a entrada da safra 2026, sobretudo dos cafés canéforas, apesar da queda na receita cambial

Exportações de café crescem 3,6% em maio com nova safra
Logotipo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil

Exportações de café brasileiras avançam em maio com nova safra, mesmo com queda da receita cambial e desafios logísticos.

As exportações de café do Brasil em maio de 2026 alcançaram 3,089 milhões de sacas de 60 quilos, representando um crescimento de 3,6% em relação ao mesmo mês de 2025. Esse avanço nas exportações de café reflete a entrada da nova safra, especialmente dos cafés canéforas, que incluem conilon e robusta. Conforme o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, a alta mensal sinaliza o início da colheita atual, que deverá impactar de forma positiva os embarques nos próximos meses com a chegada do arábica.

Panorama do acumulado anual e variação na receita cambial

No entanto, ao analisar o acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, observa-se que os embarques de café continuam 12,4% abaixo do volume exportado no mesmo período de 2025, totalizando 14,745 milhões de sacas. A receita cambial também apresenta retração, com queda de 14,6% ao somar US$ 5,552 bilhões. Essa diminuição foi antecipada diante de uma safra menor e do ritmo acelerado de exportações registrado no ano anterior. O desempenho econômico do setor sofre influência direta da combinação entre volume exportado e flutuações nos preços internacionais.

Alemanha e Estados Unidos se destacam entre os principais mercados

A Alemanha manteve a liderança como principal destino do café brasileiro no período, com importações de 1,911 milhão de sacas, o que representa 13% do total exportado, embora tenha registrado queda de 10% no volume em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos seguem em segundo lugar com 1,771 milhão de sacas, equivalente a 12% do total, porém com uma expressiva redução de 38,4%. Outros mercados relevantes incluem Itália, Bélgica e Japão, que apresentaram variações distintas, com crescimento em alguns casos e queda em outros, mostrando a diversidade e os desafios dos mercados consumidores.

Tendências na composição das exportações: arábica, canéfora e cafés diferenciados

O café arábica segue como protagonista, respondendo por 75,5% das exportações, mas com uma queda de 21,3% no volume comparado ao ano anterior. Por outro lado, os cafés canéforas se destacam com um crescimento de 86,5%, atingindo 12,8% do total exportado. O segmento de cafés diferenciados, que inclui produtos certificados e de qualidade superior, representa 17,6% dos embarques, apesar da queda de 30,1% no volume. Essa categoria se mantém importante para o faturamento, respondendo por mais de 20% da receita cambial do período, com preço médio elevado.

Infraestrutura portuária e desafios logísticos impactam o setor

O Porto de Santos continua sendo o principal ponto de saída do café brasileiro, concentrando 72,8% das exportações entre janeiro e maio, seguido pelo complexo do Rio de Janeiro e o Porto de Paranaguá. Márcio Ferreira destaca que, apesar da expectativa de crescimento dos embarques no segundo semestre, fatores como custos logísticos elevados, gargalos na infraestrutura portuária, conflitos no Oriente Médio que afetam os fretes marítimos e incertezas na política comercial dos Estados Unidos podem limitar o avanço do setor. Estes desafios estruturais e geopolíticos exigem atenção para garantir a competitividade do café brasileiro no mercado internacional.

Perspectivas para o segundo semestre de 2026

A expectativa é que, com a continuidade da colheita da safra 2026, especialmente do café arábica, os embarques de café brasileiro possam se recuperar ao longo do segundo semestre. A qualidade da safra, favorecida pelo clima no cinturão cafeeiro, é um ponto positivo para o mercado. No entanto, o cenário global e as condições internas de logística e infraestrutura serão determinantes para a consolidação desse crescimento. A atuação do setor e das autoridades para mitigar esses obstáculos será essencial para garantir sustentabilidade e expansão das exportações de café no Brasil.

Fonte: www.noticiasagricolas.com.br