Fabiana Bolsonaro enfrenta críticas após declaração racial conflitante na Justiça Eleitoral

Deputada estadual que fez blackface em Assembleia Legislativa de São Paulo declarou-se parda ao Tribunal Superior Eleitoral em 2022

Fabiana Bolsonaro enfrenta críticas após declaração racial conflitante na Justiça Eleitoral
Deputada estadual Fabiana Bolsonaro na Assembleia Legislativa de São Paulo Foto: TSE/Reprodução

Deputada Fabiana Bolsonaro se declarou parda à Justiça Eleitoral em 2022, gerando críticas após ato de blackface contra deputada Erika Hilton.

Declaração racial e polêmica recente da deputada Fabiana Bolsonaro em São Paulo

A deputada Fabiana Bolsonaro protagonizou uma controvérsia significativa na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no dia 18 de março de 2026 ao realizar um ato de blackface, pintando rosto e braços em preto para criticar a deputada federal Erika Hilton (PSOL). Na mesma ocasião, afirmou ser “branca”. Contudo, documentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que ela se declarou parda ao se candidatar em 2022, fato que gerou repercussão imediata e críticas severas de outros parlamentares.

Verbas do Fundo Eleitoral para candidatos negros e pardos: contexto e implicações

Conforme informações oficiais do TSE, candidatos que se declaram negros ou pardos têm direito ao recebimento de recursos específicos do Fundo Eleitoral para apoiar suas campanhas. Segundo dados apurados, Fabiana Bolsonaro recebeu R$ 1.593,33 desse fundo em 2022. Essa situação levanta questionamentos sobre a coerência entre a sua autodeclaração racial e as ações públicas que realizou, considerando que ela se apresentou como branca em discurso recente.

Reações políticas e consequências institucionais diante do blackface e declarações transfóbicas

Além do debate racial, a deputada provocou repercussão ao afirmar que “a mulher do ano não pode ser transsexual” durante sua manifestação na Alesp, configurando também uma fala considerada transfóbica. Em resposta, parlamentares estaduais apresentaram um pedido formal de cassação do mandato de Fabiana Bolsonaro, argumentando que a conduta viola princípios éticos e legais relacionados ao respeito à diversidade e à não discriminação.

Identidade e alinhamento político: o uso do nome Bolsonaro

Fabiana de Lima Barroso, que adotou o sobrenome Bolsonaro por afinidade política com o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso em Brasília, não possui parentesco familiar com ele. Essa escolha reforça a imagem política que busca construir, ainda que sua conduta e declarações tenham gerado controvérsias dentro e fora do cenário partidário.

Desdobramentos e reflexões sobre identidade racial na política brasileira

O caso da deputada Fabiana Bolsonaro reacende discussões mais amplas sobre o uso da autodeclaração racial no contexto eleitoral brasileiro, a legitimidade da representação política e o combate ao racismo institucional. A contradição entre sua declaração na Justiça Eleitoral e o comportamento público evidencia desafios na aplicação das cotas e no controle dos recursos destinados a grupos historicamente marginalizados.

O episódio também traz à tona a importância do respeito às identidades de gênero e racial dentro do Legislativo, destacando a necessidade de mecanismos eficazes para coibir atos discriminatórios e garantir um ambiente plural e democrático. A resposta das instituições e da sociedade civil será fundamental para delimitar os limites do debate político e preservar direitos constitucionais.