Fachadas ativas: desafios e soluções para São Paulo

Como tornar viáveis as fachadas ativas na capital paulista e impulsionar o comércio local

Fachadas ativas: desafios e soluções para São Paulo
Fachadas ativas em São Paulo. Foto: Claudio Bernardes

O desafio das fachadas ativas em São Paulo exige mudanças urbanas e culturais.

Fachadas ativas e o urbanismo em São Paulo

Em São Paulo, as fachadas ativas representam um conceito inovador para a urbanização, buscando aproximar os espaços privados dos públicos. No entanto, a implementação desse modelo ainda enfrenta obstáculos significativos.

O Plano Diretor Estratégico (PDE) de 2014 e a Lei de Zoneamento de 2016 estabeleceram diretrizes que incentivam a criação de fachadas ativas, especialmente em áreas de adensamento. Essas fachadas têm o potencial de transformar a dinâmica urbana, promovendo a presença de comércios, serviços e espaços de convivência. Contudo, a ocupação efetiva desses espaços permanece limitada, conforme aponta uma pesquisa recente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Desafios na implementação das fachadas ativas

Diversos fatores contribuem para a baixa ocupação das fachadas ativas. Entre eles, a falta de estacionamentos adequados, problemas técnicos nos projetos e custos elevados de locação. A pesquisa indica que muitos empreendimentos, mesmo com fachadas ativas, enfrentam dificuldades em se tornar economicamente viáveis.

Um dos principais desafios é a necessidade de repensar a infraestrutura dos espaços. É essencial que as fachadas ativas sejam projetadas para abrigar comércios de diversos portes, não apenas grandes redes. Isso implica em adaptar as exigências técnicas, como pé-direito e acessibilidade, para facilitar a operação de estabelecimentos locais, como padarias e farmácias.

A importância dos incentivos econômicos

Para que as fachadas ativas cumpram seu papel, é fundamental a criação de incentivos econômicos. A prefeitura poderia implementar isenções temporárias de IPTU e linhas de crédito para ajudar na adaptação de edifícios existentes. Essas medidas podem encorajar os proprietários a abrir seus estabelecimentos para a rua, contribuindo para uma urbanização mais integrada.

Além disso, a melhoria da infraestrutura urbana, como calçadas e sistemas de transporte, é crucial para garantir a viabilidade dos comércios localizados nas fachadas ativas. A falta de acessibilidade e segurança impacta diretamente na atração de clientes e na sustentabilidade dos negócios.

Transformação cultural e urbanística

Por fim, a mudança de mentalidade entre incorporadores, gestores e o próprio governo é necessária. As fachadas ativas não devem ser vistas apenas como espaços comerciais, mas como parte fundamental da vida urbana, facilitando a convivência entre moradores e visitantes. Essa transformação cultural é essencial para que as cidades se tornem mais humanas e acolhedoras.

Viabilizar as fachadas ativas em São Paulo é, portanto, um desafio que requer esforços conjuntos. Com ajustes legais, incentivos financeiros e uma mudança cultural, é possível criar um ambiente urbano mais seguro e vibrante, onde o comércio local possa prosperar e a cidade se torne mais acessível e inclusiva.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Claudio Bernardes