Dados indicam alta nos casos de feminicídio e tentativas neste início de ano, apesar do endurecimento das penas

O feminicídio no Brasil registra média de quatro assassinatos diários em 2026, com aumento nas tentativas e penas mais duras.
As estatísticas alarmantes do feminicídio no Brasil em 2026
O feminicídio no Brasil mantém uma média de quatro assassinatos diários nos dois primeiros meses de 2026, com 258 vítimas registradas, conforme dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Essa estatística, observada entre janeiro e fevereiro, demonstra uma leve alta em relação ao mesmo período do ano anterior, que contabilizou 254 feminicídios. A continuidade dessa tendência preocupa especialistas e autoridades, indicando a possibilidade de 2026 superar o recorde de 1.558 mortes registrado em 2025.
A evolução da legislação e seu impacto no combate ao feminicídio
A Lei do Feminicídio, sancionada pela então presidente Dilma Rousseff em 9 de março de 2015, completou 11 anos em 2026. Essa legislação qualificou o assassinato de mulheres por motivos de gênero como crime hediondo, incorporando agravantes relacionados à violência doméstica e discriminação. Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que aumentou a pena máxima para quem comete feminicídio, elevando-a para até 40 anos de prisão, a mais severa prevista no Código Penal brasileiro. Essa medida também ampliou as punições para casos de lesão corporal e violência doméstica, buscando inibir tais crimes.
Crescimento das tentativas de feminicídio e desafios para a prevenção
Além do aumento nos feminicídios consumados, 2026 registrou 671 tentativas nos primeiros dois meses, representando um crescimento de 2,7% em relação ao mesmo período de 2025 e um aumento de 72,9% desde 2022. Isso significa que, diariamente, cerca de 11 mulheres sofrem tentativas de assassinato motivadas pela condição de gênero. Esses números refletem a necessidade urgente de fortalecer políticas públicas e mecanismos de proteção para as mulheres em situação de risco.
O papel dos serviços públicos no apoio às vítimas de violência
A Central de Atendimento à Mulher, conhecida pelo número gratuito LIGUE 180, é um serviço público fundamental no enfrentamento à violência de gênero. Disponível 24 horas por dia e todos os dias da semana, o canal oferece orientação, acolhimento e encaminhamento para as vítimas de violência doméstica e feminicídio. A existência e divulgação desse serviço são essenciais para estimular denúncias e garantir proteção às mulheres ameaçadas.
Perspectivas e o desafio de reduzir os índices de feminicídio no Brasil
Apesar do avanço legislativo e da ampliação das penas, os dados de 2026 indicam que o feminicídio no Brasil permanece em níveis alarmantes, com aumento tanto em casos consumados quanto em tentativas. O cenário reforça a necessidade de ações integradas entre órgãos de segurança, sistema de justiça, políticas sociais e educação para mudar a cultura de violência contra a mulher. É vital que as medidas adotadas sejam acompanhadas de investimentos em prevenção, proteção e conscientização para reverter essa triste realidade.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Carla Sena/Arte Metrópoles





