Feminicídios em Pernambuco: 2025 já registra aumento alarmante

O número de casos de feminicídio supera o total de 2024 antes do fim do ano.

Feminicídios em Pernambuco: 2025 já registra aumento alarmante
Imagem ilustrativa sobre feminicídios em Pernambuco. Foto: PSD Mulher

Feminicídios em Pernambuco superam 2024 antes do fim do ano, com 82 casos registrados até novembro.

Aumento alarmante nos feminicídios em Pernambuco

Os feminicídios em Pernambuco alcançaram um número preocupante em 2025, totalizando 82 casos até o final de novembro, o que representa um aumento significativo em comparação aos 76 registrados no ano anterior. Este crescimento alarmante indica um aumento de 20,5% em relação ao mesmo período de 2024, conforme dados da Secretaria de Defesa Social (SDS).

No dia 29 de novembro, um caso chocante ocorreu na comunidade Icauã, no bairro Caxangá, zona oeste do Recife. Um incêndio criminoso resultou na morte de Isabely Gomes de Macedo, de 40 anos, e seus quatro filhos. O marido da vítima, conhecido como Guel, foi preso sob suspeita de ter ateado fogo na casa com a família dentro. Já no dia 1º de dezembro, outro homem foi detido em flagrante após tentar assassinar sua ex-companheira, incendiando a residência onde ela vivia, um incidente que poderia ter terminado em tragédia se não fosse a rápida intervenção.

Desafios nas políticas de proteção às mulheres

A advogada de família e da mulher, Fabiana Leite, comentou sobre a situação, afirmando que, embora existam leis importantes, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, a implementação dessas políticas é insuficiente. “Há uma distância significativa entre a previsão legal e a proteção real das mulheres”, destacou. Segundo Leite, muitos serviços especializados, como as delegacias da mulher, estão sobrecarregados e carecem de recursos adequados, o que compromete a eficácia das medidas protetivas.

Além disso, a advogada enfatiza que o feminicídio não ocorre de forma abrupta; frequentemente, é o resultado de um ciclo de violência que já foi identificado por autoridades e órgãos de segurança pública. A falta de intervenções adequadas e a ineficácia das políticas de proteção permitem que essas violências se intensifiquem, levando a desfechos fatais.

Estruturas sociais e culturais que favorecem a violência

De acordo com Fabiana, fatores estruturais como o machismo e a desigualdade econômica também são determinantes para o aumento dos feminicídios. Muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos devido à dependência financeira, falta de apoio e responsabilidades familiares. Essa vulnerabilidade aumenta o risco de violência extrema e dificulta o rompimento de laços com agressores.

A sensação de impunidade também contribui para o aumento da violência. A lentidão das investigações e a ausência de punições imediatas reforçam a escalada da violência contra as mulheres em Pernambuco.

A resposta do governo e as iniciativas em curso

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) se manifestou afirmando que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma prioridade. As forças de segurança estão atuando de maneira integrada para prevenir novos casos e proteger as vítimas. Atualmente, o estado possui 15 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e uma Patrulha Maria da Penha, que acompanha milhares de mulheres com Medidas Protetivas de Urgência desde 2023.

Contudo, Fabiana Leite ressalta que é necessário mais do que apenas leis penais para enfrentar os feminicídios. O fortalecimento da rede de proteção e uma mudança cultural são essenciais para que as mortes deixem de ser tratadas como meras estatísticas e passem a ser encaradas como falhas do Estado e da sociedade.

Denúncias podem ser feitas através dos números 181 ou 0800.081.5001, com atendimento gratuito e sigiloso.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: PSD Mulher