CEO da Braspress alerta para impactos operacionais e necessidade de planejamento estratégico de longo prazo

O fim da escala 6×1 representa um desafio crítico para a logística brasileira, segundo o CEO da Braspress.
Desafios operacionais do fim da escala 6×1 para o setor logístico brasileiro
O fim da escala 6×1 representa um desafio crítico para a sustentabilidade do setor logístico no Brasil. Segundo Tayguara Helou, CEO da Braspress, o regime de trabalho tradicional que permite aos motoristas seis dias consecutivos de trabalho seguidos por um dia de descanso enfrenta obstáculos operacionais severos devido à natureza das atividades de transporte.
Helou questiona a viabilidade prática da troca de motoristas em rodovias e áreas rurais extensas, onde a operação ocorre constantemente em trânsito. O executivo afirma que é “humanamente impossível” gerir a jornada de trabalho de forma eficiente nessas condições sem comprometer a operação. Essa dificuldade ganha maior peso diante da ampla extensão territorial brasileira e das complexidades logísticas envolvidas.
Impactos econômicos e estratégicos da mudança na escala de trabalho
A logística é uma engrenagem fundamental para a economia nacional, e qualquer fragilização nesse setor traz reflexos diretos ao desenvolvimento do país. Helou destaca que, embora grandes empresas tenham estrutura para mitigar impactos com múltiplos centros de distribuição – como a Braspress na Grande São Paulo – a maioria das companhias não dispõe de tal capilaridade, o que dificulta a adaptação ao fim da escala 6×1.
Essa mudança pode resultar em queda da produtividade e aumento dos custos operacionais, afetando, em última análise, toda a cadeia econômica que depende do transporte eficiente de mercadorias. O CEO alerta que a alteração da jornada sem um planejamento robusto pode comprometer a competitividade do setor e, consequentemente, do país.
Pressões externas: custos e infraestrutura insuficiente
Além das dificuldades trabalhistas, o setor logístico brasileiro enfrenta pressões relacionadas ao custo do óleo diesel, que impacta diretamente a rentabilidade das operações. Paralelamente, a falta de uma visão de Estado para infraestrutura cria um ambiente instável para investimentos e planejamento.
Helou ressalta que no Brasil há uma troca frequente das políticas públicas a cada quatro anos, o que impede a implementação de projetos logísticos de longo prazo. Ele enfatiza a necessidade de um olhar estratégico e continuidade para que os investimentos em infraestrutura possam suportar um ciclo sustentável de crescimento econômico.
A necessidade de um plano logístico de longo prazo para o Brasil
Para garantir a sustentabilidade e o crescimento da logística brasileira, o CEO da Braspress defende a criação de um plano logístico nacional estruturado e de longo prazo. Esse planejamento deve considerar as especificidades operacionais do transporte e permitir a adaptação gradual às mudanças, como o fim da escala 6×1.
Helou conclui que o crescimento econômico desejado pelo país depende diretamente da capacidade logística. “Não adianta querer crescer se a logística brasileira não aguenta”, afirmou, reforçando a importância de políticas públicas estáveis e de investimentos contínuos para a modernização do setor.
Contexto e repercussão da discussão sobre a escala 6×1
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ocorre em meio a um debate mais amplo sobre direitos trabalhistas e produtividade no setor de transporte. Pesquisa de opinião revela que 71% dos brasileiros apoiam a mudança, enquanto especialistas alertam para os riscos de queda de eficiência.
O tema está em pauta no Congresso por meio de propostas de emenda constitucional, com relatores enfatizando a necessidade de ajustes para que a mudança seja compatível com a realidade operacional do setor. Enquanto isso, executivos e sindicatos buscam soluções que equilibrem a proteção do trabalhador com a manutenção da eficiência logística.
Essa complexa equação revela os desafios de conciliar direitos sociais com as demandas econômicas de um setor que é vital para a economia brasileira.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: CNN Money





