Fim da escala 6×1 não preocupa maioria dos empreendedores, revela Sebrae

Pesquisa do Sebrae mostra que 56% dos pequenos negócios veem impacto neutro ou positivo com o fim da jornada 6×1

Fim da escala 6x1 não preocupa maioria dos empreendedores, revela Sebrae
Manifestantes pedem o fim da escala 6×1 na Avenida Paulista Foto:

Levantamento do Sebrae indica que 56% dos pequenos empreendedores não veem impacto negativo com o fim da escala 6×1 nas suas empresas.

Pesquisa Sebrae indica neutralidade ou otimismo sobre o fim da escala 6×1

A pesquisa interna do Sebrae, realizada no final de 2024, mostra que a maioria dos pequenos negócios no Brasil não enxerga o fim da escala 6×1 como uma ameaça. Segundo o levantamento, 47% dos responsáveis afirmam que a medida não impactará suas empresas, 9% veem possibilidade de efeito positivo e 32% estimam impacto negativo. A escala 6×1, que garante dois dias de descanso para os trabalhadores, está em processo de revisão no Congresso Nacional, que discute a redução da jornada para 40 ou 36 horas semanais.

Como microempreendedores individuais e pequenas empresas avaliam a mudança

Entre os microempreendedores individuais (MEI), 53% acreditam que a alteração na escala 6×1 não afetará seus negócios, com 11% projetando impacto positivo. Já nas micro e pequenas empresas (MPE), 40% não esperam impacto, 7% veem efeitos positivos e 44% antecipam consequências negativas. A percepção varia conforme o segmento econômico, mostrando que a realidade dos negócios é heterogênea. Décio Lima, presidente do Sebrae, destaca a importância do diálogo para garantir segurança jurídica e sustentabilidade tanto para empreendedores quanto para trabalhadores.

Setores mais impactados negativamente com o fim da escala 6×1

O estudo detalha que segmentos como serviços de alimentação, pet shops e serviços veterinários, indústria alimentícia, comércio varejista, energia, turismo e oficinas mecânicas são os que mais projetam efeitos adversos. No setor de alimentação, por exemplo, 64% dos empreendedores acreditam que haverá impacto negativo, enquanto 24% veem neutralidade ou impacto positivo. Essa percepção reflete desafios específicos de cada ramo diante da possível redução da jornada e necessidade de reorganização operacional.

Áreas com percepção neutra ou favorável à mudança na jornada

Por outro lado, segmentos como academias, logística, economia criativa, beleza, educação, saúde e agronegócio manifestam maior otimismo ou neutralidade. Por exemplo, 75% dos empresários de academias consideram que o fim da escala 6×1 não prejudicará suas atividades, e 11% vêem impacto positivo. Esse cenário sugere que a adaptação às novas condições pode ser mais viável em setores com maior flexibilidade de operação e inovação.

Desafios e oportunidades para pequenas empresas com a nova legislação

Décio Lima ressalta que a simples compensação de horas não deve ser o foco das empresas, mas sim o investimento em tecnologias e métodos que promovam maior produtividade. A mudança na escala 6×1 pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e aumentar a oferta de emprego, desde que implementada com negociação ampla e diálogo social. Assim, o fim da escala 6×1 representa não apenas um desafio, mas uma oportunidade para o fortalecimento das micro e pequenas empresas no Brasil.

Cenário político e apoio popular à reforma trabalhista

Além da pesquisa do Sebrae, levantamento de dezembro pela Genial/Quaest indica que 72% da população apoiam o fim da escala 6×1, enquanto 24% são contrários. O debate legislativo no Congresso Nacional ganha respaldo social, mesmo diante da resistência de setores preocupados com os impactos econômicos. A discussão envolve equilibrar direitos trabalhistas, qualidade de vida e competitividade das empresas.

Conclusão

O fim da escala 6×1 é uma mudança significativa no cenário trabalhista brasileiro que divide opiniões nos pequenos negócios. A pesquisa do Sebrae evidencia predominância de uma visão neutra ou positiva, com destaque para setores que veem potencial para inovação e aumento de produtividade. Para garantir que a reforma seja benéfica, será essencial o diálogo entre poderes públicos, trabalhadores e empresários, além do fomento a soluções tecnológicas e organizacionais que possam mitigar impactos negativos e fortalecer a economia local.

Fonte: noticias.uol.com.br