Flávio Bolsonaro busca fortalecer apoio em igrejas evangélicas para eleição de 2026

Senador intensifica participação em eventos religiosos para recuperar influência do pai no segmento evangélico

Flávio Bolsonaro busca fortalecer apoio em igrejas evangélicas para eleição de 2026
Flávio Bolsonaro participa de culto na Lagoinha Church em Orlando, reforçando sua aproximação com o público evangélico. Foto: Reproduçao

Flávio Bolsonaro intensifica articulação nas igrejas evangélicas em 2026, buscando recuperar a influência política do pai para a disputa eleitoral, em cenário marcado por fragmentação e preferências divididas entre lideranças religiosas.

O senador Flávio Bolsonaro tem adotado uma nova tática para reconquistar parte do eleitorado evangélico, um segmento político fundamental que foi decisivo nas eleições presidenciais de 2018 e 2022. Em 2026, com seu pai inelegível, Flávio busca intensificar sua presença em eventos religiosos e se apresentar como um interlocutor confiável para lideranças que hoje demonstram maior diversidade de preferências políticas.

Fragmentação do apoio evangélico em 2026

O cenário evangélico em 2026 é bastante diferente daquele que elegeu Jair Bolsonaro. Na última eleição, o ex-presidente contou com o apoio quase unânime das principais lideranças evangélicas, que viam nele um candidato capaz de derrotar o PT e representando uma promessa moral e política para o país. Michelle Bolsonaro, evangélica, teve papel fundamental na construção dessa imagem.

Entretanto, hoje, essa coesão deixou de existir. Muitas lideranças preferem candidatos considerados menos conflituosos, como o governador Tarcísio de Freitas, ou mesmo Michelle Bolsonaro, que tem sido apontada por alguns pastores como opção para compor uma chapa presidencial. A presença de Flávio nas igrejas não tem recebido o mesmo entusiasmo do passado, e sua candidatura enfrenta um ambiente mais competitivo e fragmentado.

Participação recente de Flávio Bolsonaro em eventos evangélicos

Flávio Bolsonaro tem buscado aumentar sua visibilidade no meio evangélico com participações em cultos e eventos religiosos:

Lagoinha Church, Orlando: No último domingo de 2025, participou do culto conduzido pelo pastor André Valadão, acompanhando o chamado para oração e reconciliação espiritual.
Vira Brasil, Orlando: Passou o Réveillon em megaevento evangélico organizado por Valadão, com a presença de figuras como o evangelista Deive Leonardo.
Ato religioso nacional: Antes do Natal, esteve ao lado dos irmãos Carlos e Jair Renan em ato com pregações que o compararam a ‘Josué’ na luta política.

Apesar dessa movimentação, líderes religiosos de peso, como Silas Malafaia, expressam reservas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio, e o próprio pastor André Valadão afirma não ter alinhamento político com ele.

Desafios na reconquista do eleitorado evangélico

Especialistas apontam que Flávio Bolsonaro enfrenta obstáculos para garantir o mesmo apoio que seu pai teve:

Ausência de carisma herdado: Flávio não possui o mesmo apelo pessoal que Jair Bolsonaro teve junto ao público evangélico.
Imagem debilitada do pai: A transição do ex-presidente de uma figura viril para um homem debilitado afastou parte do eleitorado antes cativo.
Candidatos alternativos: A preferência por outras lideranças, como Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro, fragmenta o apoio.

A antropóloga Lívia Reis, do Instituto de Estudos da Religião (Iser), destaca que Flávio tenta um “recall da popularidade” do pai para legitimar sua candidatura, mas o contexto político e religioso mudou substancialmente desde 2016.

Serviço e contexto político de 2026

Segmento evangélico: Representa cerca de 27% da população brasileira, sendo um grupo decisivo para as eleições.
Inelegibilidade de Jair Bolsonaro: Cria um vácuo que Flávio tenta preencher, mas sem a mesma força.

  • Preferência das lideranças: Grande parte delas prefere outras candidaturas no campo conservador.

Flávio Bolsonaro segue, portanto, um caminho de articulação delicada e desafiadora, que poderá definir sua competitividade na disputa presidencial de 2026. O apoio das igrejas evangélicas, apesar de ainda importante, não é mais uma base consolidada como foi para seu pai, exigindo novas estratégias e negociações políticas.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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