Flávio apresenta plano rigoroso de segurança com presídios e castração

Pré-candidato à presidência pela oposição anuncia 12 medidas de combate ao crime, incluindo inspiração no modelo de El Salvador

Flávio apresenta plano rigoroso de segurança com presídios e castração
Senador Flávio Bolsonaro apresenta programa de segurança em São Paulo. Foto: Reprodução — Foto: O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL)  • Reprodução/CNN

Senador do PL lança proposta com 12 ações contra criminalidade, desde novos presídios até redução da maioridade penal e castração química.

Plano de segurança pública é apresentado por Flávio Bolsonaro em São Paulo

O senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à presidência pela coligação de oposição, apresentou nesta quinta-feira (18 de junho) em São Paulo um plano de segurança pública contendo 12 medidas integradas de combate à criminalidade. O evento marca a primeira apresentação oficial de propostas da pré-campanha do parlamentar, que aparece como principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pesquisas eleitorais.

Vestindo camiseta preta com slogan relacionado a segurança e cercado por aparato de proteção reforçada, Flávio coordenou a apresentação com participação de pré-candidatos e ex-autoridades de segurança pública. O anúncio acontece em momento de reposicionamento político, após revelações de trocas de mensagens que resultaram em desgaste da imagem pública.

Criação de cinco presídios federais com capacidade ampliada

O plano prevê construção de cinco novas unidades prisionais federais com capacidade total de 500 mil vagas para detentos. O complexo receberá denominação específica e funcionará sob modelo inspirado no sistema penitenciário de El Salvador, país onde se implementou política de encarceramento em massa sob gestão de Nayib Bukele.

Além da infraestrutura, o programa propõe eliminação da progressão de regime penal para condenados e redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Essas mudanças representam endurecimento significativo da legislação criminal vigente.

Designação de organizações criminosas como entidades terroristas

A proposta inclui declarar como organizações terroristas grandes facções criminosas nacionais, seguindo modelo recentemente adotado por governo estrangeiro. A medida visa ampliar capacidade investigativa e de vigilância sobre estruturas criminosas de atuação territorial.

Também faz parte do plano criação de força especial das forças armadas dedicada ao monitoramento de fronteiras terrestres e intensificação de fiscalização em principais portos de escoamento.

Sistema de reconhecimento facial e monitoramento eletrônico

O programa apresenta integração de tecnologia de reconhecimento facial a bancos de dados criminais, nomeado conforme referência histórica. A solução busca aperfeiçoar sistemas similares já em operação em municípios e estados.

Para casos de violência contra mulheres, o plano estabelece uso obrigatório de dispositivos de monitoramento eletrônico para agressores condenados, ampliando capacidade de vigilância e proteção.

Articulação política e expectativas eleitorais

A apresentação contou com presença de pré-candidato ao Senado e ex-secretário de segurança estadual, bem como senador que exerceu cargo ministerial, ambos contribuindo na formulação das propostas. O evento representa estratégia de consolidação de plataforma de oposição em tema de segurança pública, tradicional demanda eleitoral.

O timing da apresentação reflete tentativa de redirecionamento do foco político após período de reveladoras comunicações privadas envolvendo financiamento de projeto cinematográfico, tema que gerou críticas da opinião pública e de adversários políticos.

Contexto de polarização e disputa presidencial

O plano se insere em contexto de polarização política acentuada, com posicionamento explícito de oposição ao governo atual. A ênfase em medidas de encarceramento e vigilância reflete percepção de demanda eleitoral por políticas de segurança mais duras, tendência observada em diversos contextos políticos internacionais.

Propostas deste perfil, ainda que populares em pesquisas sobre percepção de segurança, enfrentam críticas de especialistas em políticas públicas quanto à efetividade e sustentabilidade fiscal de modelos baseados primariamente em aprisionamento em massa.