FMI vê economia global resiliente apesar dos riscos geopolíticos

Diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional afirma que não há sinais de desaceleração, mas alerta para vulnerabilidades no cenário internacional

FMI vê economia global resiliente apesar dos riscos geopolíticos
Sede do FMI em Washington. Foto: Benoit Tessier/Reuters — Foto: Logo do FMI na sede do Fundo em Washington
24/11/2024 REUTERS/Benoit Tessier

Apesar de pressões inflacionárias e tensões financeiras, a economia mundial continua resistindo aos choques externos, segundo avaliação da liderança do FMI em Washington.

A economia global continua demonstrando capacidade de absorver choques externos significativos, conforme avaliou a liderança do Fundo Monetário Internacional durante pronunciamento em Washington no dia 15 de junho. Apesar de três meses de conflito no Oriente Médio com impactos em preços de energia e alimentos, as estruturas econômicas internacionais não apresentam, até o momento, sinais claros de desaceleração.

Pressões inflacionárias e resiliência do crescimento

Os dados econômicos coletados após a deflagração das hostilidades revelam um quadro complexo. Embora commodities tenha registrado valorizações expressivas e índices inflacionários tenham se elevado em várias economias, os mercados de crédito permaneceram funcionais e as expectativas de preços não dispararam de forma descontrolada. Essa estabilidade relativa contrasta com cenários catastróficos que circulavam nos primeiros dias de intensificação do conflito.

A capacidade das economias de absorver esses choques reflete, em parte, as medidas de política monetária adotadas nos anos anteriores e a diversificação de fornecedores de energia que muitos países conseguiram implementar. Ainda assim, vulnerabilidades permanecem presentes no sistema financeiro global, particularmente em setores sensíveis a variações nos custos de transportes e matérias-primas.

Acordo geopolítico reduz cenário adverso

O anúncio de um acordo entre potências para encerrar o conflito regional e reabrir rotas comerciais críticas no Estreito de Ormuz foi recebido com otimismo pelas instituições multilaterais. Esse desfecho oferece maior previsibilidade para os mercados nos próximos trimestres e reduz a probabilidade de uma escalada que comprometesse gravemente a circulação global de bens.

Membros da instituição alertaram, porém, que novas intensificações das tensões geopolíticas continuam representando risco material para o crescimento internacional. Qualquer ruptura nas rotas de abastecimento ou nova onda de aversão ao risco nos mercados financeiros poderia recolocar a economia em trajetória de contração mais acentuada.

Cenários revistos em julho

O organismo prevê divulgar projeções atualizadas no dia 8 de julho, com base em dados macroeconômicos coletados nos últimos meses. Em seu exercício de planejamento anterior, três cenários haviam sido modelados para o biênio 2026-2027. No cenário intermediário, antecipava-se expansão do Produto Interno Bruto global de 2,5% em 2026, acompanhada de inflação geral de 5,4%.

O cenário de referência, que pressupunha uma crise regional breve, projetava crescimento mais robusto de 3,1% para 2026. Indicações recentes sugerem que o fundo pode gravitando em direção a esse cenário base, abandonando as projeções mais pessimistas que havia considerado semanas atrás.

Vigilância contínua e sinais mistos

Embora o tom dos comunicados oficiais tenha se tornado gradualmente menos alarmista, autoridades monetárias internacionais mantêm monitoramento constante de indicadores antecedentes. Dados sobre confiança de consumidores, investimento em capital fixo e fluxos comerciais bilaterais continuam sob escrutínio intenso.

A resiliência observada até junho não descarta possibilidades de efeitos defasados. Economias que dependem fortemente de importações de energia ou insumos agrícolas podem enfrentar pressões inflacionárias persistentes nos meses seguintes, afetando decisões de consumo e investimento.

O sistema financeiro global permanece em estado de atenção elevada, com bancos centrais prontos para ajustar suas trajetórias de política monetária conforme evolua o quadro macroeconômico. A instituição internacional ressaltou que, embora tenha havido absorção satisfatória dos choques até agora, margens de segurança permanecem limitadas em diversos mercados emergentes.