Votação no Parlamento francês pressiona negociações e gera incertezas sobre a assinatura do pacto
França rejeita acordo Mercosul-UE com votação de 244 a 1, gerando pressão nas negociações.
França rejeita acordo Mercosul-UE em votação histórica
Na quinta-feira, 27 de novembro de 2025, a Assembleia Nacional da França decidiu, por 244 votos a 1, rejeitar o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Essa votação expressiva pressiona as negociações que envolvem tanto o Brasil quanto outros países do Mercosul, em meio a críticas do presidente Emmanuel Macron e à resistência de agricultores europeus.
Contexto do acordo Mercosul-UE
O acordo em questão é um tratado comercial que visa estabelecer um grande bloco de livre comércio entre os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — e a União Europeia. O objetivo é reduzir barreiras comerciais e facilitar o fluxo de negócios entre as duas regiões. No entanto, a votação na Assembleia Nacional da França sinaliza um obstáculo significativo para a implementação desse pacto.
Pressões e críticas sobre o acordo
Durante a votação, o partido França Rebelde, que apoiou a resolução, destacou que a rejeição do acordo representa um “ponto de virada” em questões ambientais e agrícolas. A oposição da França está fortemente ligada à proteção do setor agrícola local e à necessidade de garantir que produtos que utilizam pesticidas proibidos na UE não sejam importados do Mercosul.
Macron, em encontro recente com empresários brasileiros, declarou que o pacto “não é satisfatório e precisa ser melhorado”, o que contraria a expectativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esperava assinar o acordo em 20 de dezembro. Essa discordância entre os líderes reflete a complexidade das negociações em curso.
Resistência à aprovação do pacto
O governo francês enfrenta dificuldades para formar uma frente unida contra o acordo, especialmente diante da resistência de países como Alemanha e Espanha, que apoiam a implementação do pacto. Agricultores europeus manifestam preocupação com o impacto do acordo em setores sensíveis, como a produção de carne e açúcar. Além disso, cerca de 150 deputados europeus pediram que o Parlamento Europeu encaminhe o texto para revisão pelo Tribunal de Justiça da UE.
O futuro das negociações
A incerteza sobre a assinatura do acordo em 20 de dezembro permanece. O Brasil, representado pelo embaixador Ricardo Neiva Tavares, expressa otimismo em diversificar suas exportações para a França e aguarda a continuidade das negociações. Caso os Estados-membros da UE aprovem o pacto, o próximo passo será a votação no Parlamento Europeu, enquanto a França busca levar o tema ao Tribunal de Justiça do bloco. As negociações comerciais internacionais entre o Mercosul e a União Europeia seguem em um cenário repleto de desafios e expectativas.





