Setor busca replicar sucesso da cota Hilton para ampliar exportações e organização das vendas

Frigoríficos brasileiros solicitam ao governo a replicação da cota Hilton para carne bovina na China, buscando mais organização e incentivo para exportação.
Frigoríficos brasileiros intensificam pedidos ao governo para que seja replicado o modelo da cota Hilton na exportação de carne bovina para a China, principal mercado internacional do setor. Essa solicitação visa organizar a distribuição da cota chinesa, atualmente estimada em 1,1 milhão de toneladas, e evitar desarranjos logísticos e comerciais que prejudicam a competitividade do produto nacional.
Contexto do pedido e importância do modelo Hilton
O modelo da cota Hilton, que regula a entrada de carne bovina brasileira na União Europeia, é considerado um mecanismo eficiente para garantir o acesso ordenado ao mercado e a distribuição equitativa entre frigoríficos exportadores. Inspirados por esse sistema, os frigoríficos brasileiros buscam uma regulamentação semelhante para a China que organize a oferta, evitando excessos e faltas que possam impactar preços e contratos.
Com a crescente demanda chinesa por carne bovina, o estabelecimento dessa cota poderia trazer mais previsibilidade e segurança para exportadores e produtores, além de promover a capitalização das empresas para manterem suas programações de entrega.
Cenário internacional e desafios para 2026
O ano de 2026 se apresenta com incertezas no comércio internacional para a carne bovina brasileira. As relações com a Venezuela permanecem instáveis, e as políticas dos Estados Unidos continuam a influenciar as exportações globais. Esses fatores exigem que o setor brasileiro esteja preparado para oscilações e negociações delicadas.
Além disso, a comercialização da carne bovina está abaixo da média histórica para o período, com cerca de 30% da produção vendida, contra uma média de 40% em safras anteriores. Essa baixa atividade pode afetar o fluxo de caixa dos frigoríficos e produtores, dificultando investimentos e o cumprimento de contratos.
Impactos na produção agrícola e agroindustrial
A recuperação das cotações da carne bovina, caso ocorra, pode influenciar diretamente o desenvolvimento agrícola, especialmente no plantio da segunda safra ou safrinha. Produtores tendem a se capitalizar para manter a produção e liberar áreas, mostrando a interdependência entre os segmentos agropecuário e industrial.
Enquanto isso, no campo, a colheita da safra de verão avança nas regiões Sul e Sudeste, e o plantio da safrinha começou em algumas áreas, demonstrando a dinâmica constante do setor agrícola para atender à demanda interna e externa.
Aspectos regulatórios e sustentabilidade
O setor também acompanha o Regulamento Europeu de Desmatamento, que não se limita ao produto final, mas considera o território do qual a carne é originada. Essa norma pressiona os produtores e exportadores a adotarem práticas sustentáveis e de rastreabilidade, impactando diretamente nas cadeias produtivas e na imagem internacional da carne bovina brasileira.
Perspectivas para organização e crescimento
A indústria teme que a falta de organização na distribuição da cota para a China provoque desarranjos comerciais e perda de oportunidades. A replicação do modelo da cota Hilton pode assegurar maior estabilidade e planejamento para os frigoríficos, permitindo que mais empresas participem regularmente do comércio internacional, como ocorreu em 2025, quando 64 empresas embarcaram carne para a China.
Parcerias internacionais, como a firmada com uma usina da Argentina para prospectar o mercado vizinho, demonstram a busca por diversificação e fortalecimento das exportações sul-americanas.
Assim, o setor aposta em uma combinação de organização comercial, adaptação regulatória e aproveitamento das condições climáticas e produtivas para enfrentar o ano desafiador que se anuncia.
Fonte: globorural.globo.com
Fonte: Globo Rural





