Futuro das ferrovias de Ponta Grossa e malha sul começa a ser definido em audiência

Audiência pública marca etapa decisiva para concessão da malha ferroviária que integra São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Futuro das ferrovias de Ponta Grossa e malha sul começa a ser definido em audiência
Vista aérea da malha ferroviária no Sul do Brasil. Foto: reprodução/ANTT

Audiência pública abre processo para definir concessão da Malha Sul, conectando Ponta Grossa e outras cidades importantes do Sul do Brasil.

Audiência pública define novo modelo para concessão da Malha Sul ferroviária

O futuro das ferrovias em Ponta Grossa e na Malha Sul começou a ser desenhado com a abertura da audiência pública realizada em 2 de junho de 2026 pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Esse processo visa a nova concessão do sistema ferroviário que liga os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, estruturando um dos principais eixos de transporte de cargas do país.

A diretoria da ANTT aprovou a etapa pública que antecede a elaboração do edital e o leilão dos três corredores ferroviários que compõem a Malha Sul, com um total de 4.248,45 quilômetros. O atual contrato operado pela Rumo Malha Sul S.A. será encerrado em 2027, tornando esse momento crucial para a continuidade e ampliação dos serviços.

Estrutura e importância dos três corredores ferroviários da Malha Sul

A Malha Sul está dividida em três corredores com características específicas e papéis definidos dentro da logística regional:

  • Corredor Paraná-Santa Catarina: Com 1.502,26 km, é o eixo principal do sistema, ligando Maringá e Ourinhos a Apucarana e seguimento até os portos de Paranaguá e São Francisco do Sul. Abrange importantes cidades como Guarapuava, Rio Branco do Sul e Curitiba. Este corredor movimenta 78% da carga da malha, focando em exportações de grãos, açúcar, celulose e fertilizantes.
  • Corredor Rio Grande: Com 880,3 km, conecta Cruz Alta a Cacequi, incluindo ramal até Santiago, estendendo-se até o Porto de Rio Grande. Representa 16,6% da movimentação, com foco em grãos, fertilizantes e combustíveis.
  • Corredor Mercosul: O maior corredor, com 1.865,78 km, conecta Iperó (SP) a Ponta Grossa (PR), retomando em Mafra e passando por Passo Fundo, Porto Alegre, Santa Maria, Cacequi até Uruguaiana, na fronteira com a Argentina. Estima-se investimento de R$ 4,8 bilhões, sendo R$ 3 bilhões destinados à recuperação da infraestrutura gaúcha afetada por eventos climáticos recentes.

Investimentos e modelo financeiro para garantir a viabilidade

O modelo aprovado prevê licitação conjunta dos três corredores em um único leilão, dividido em três lotes. O Corredor Paraná-Santa Catarina, economicamente mais robusto, realizará investimentos cruzados que beneficiarão os outros corredores: R$ 1,47 bilhão para o Corredor Rio Grande e R$ 3,46 bilhões para o Mercosul. Essa estratégia visa garantir a sustentabilidade financeira do sistema sem depender diretamente de recursos do Tesouro Nacional.

Ao longo dos 30 anos de concessão, estima-se um investimento total de R$ 14,4 bilhões em capital (CAPEX) e R$ 38,6 bilhões em custos operacionais (OPEX), o que sinaliza um compromisso significativo com a manutenção, modernização e expansão da infraestrutura ferroviária.

Participação social e etapas da audiência pública

A audiência pública aberta permite que a sociedade civil, agentes econômicos e demais interessados contribuam com sugestões e críticas às minutas do edital e do contrato de concessão. A disponibilização dos documentos começa em 8 de junho de 2026, com prazo para envio de contribuições de 15 de junho até 10 de agosto de 2026.

Sessões presenciais ocorrerão em quatro cidades: Brasília/DF (16 de julho, em formato híbrido), Curitiba/PR (27 de julho), Porto Alegre/RS (29 de julho) e Florianópolis/SC (31 de julho). Esses encontros têm a finalidade de aprofundar o diálogo, garantir transparência e aprimorar o projeto antes da publicação final do edital.

Impacto esperado para Ponta Grossa e região no contexto da Malha Sul

O corredor Mercosul, por sua extensão e por incluir Ponta Grossa em seu eixo, é estratégico para o desenvolvimento regional e a integração econômica do Paraná com o restante do Sul e com países vizinhos. A modernização e a ampliação da malha ferroviária prometem ganhos significativos em eficiência logística, redução de custos no transporte de cargas e estímulo ao crescimento do comércio exterior.

Além disso, o investimento robusto destinado à recuperação da infraestrutura, especialmente no Rio Grande do Sul, reforça a resiliência do sistema diante de desafios climáticos e assegura a continuidade do escoamento da produção agrícola e industrial.

Parcerias institucionais e segurança jurídica para o novo modelo

A ANTT, em conjunto com o Ministério dos Transportes e a Infra S.A., conduz o processo de estruturação da nova concessão com base em estudos técnicos, econômicos e ambientais rigorosos. Esse trabalho integrado oferece segurança jurídica e previsibilidade para investidores e usuários, fortalecendo a confiança no futuro do sistema ferroviário da Malha Sul.

O processo em curso representa uma oportunidade para consolidar a infraestrutura ferroviária como um pilar central do desenvolvimento sustentável e competitivo do transporte de cargas no Sul do Brasil.