O futuro do imóvel: de produto a serviço no Brasil

Transformações no mercado imobiliário refletem novas necessidades urbanas

O mercado imobiliário brasileiro está passando por transformações significativas, onde o imóvel deixa de ser apenas um produto e se torna um serviço.

Durante décadas, o mercado imobiliário foi analisado quase sempre pelos mesmos critérios: localização, metragem e preço por metro quadrado. O problema é que o mundo mudou mais rápido do que os prédios. A vida urbana ficou mais móvel, mais digital, menos previsível —e a forma de morar passou a refletir essas transformações de maneira cada vez mais evidente.

A nova lógica do mercado imobiliário

Nos últimos anos, surgiram perguntas que não cabiam nos manuais tradicionais do setor. Faz sentido pensar moradia como posse definitiva? Qual o impacto real da tecnologia na experiência de morar? Como o envelhecimento acelerado da população brasileira deve redesenhar os imóveis das próximas décadas? E, sobretudo, por que alguns produtos imobiliários parecem envelhecer mal enquanto outros ganham relevância?

Para ajudar a organizar esse debate, conversei com Alexandre Frankel, CEO da Housi e um dos nomes mais associados à transformação recente do mercado imobiliário no país. Engenheiro civil, fundador da Vitacon e à frente de um modelo que propõe a moradia como serviço, Frankel acompanha de perto a mudança de comportamento de moradores, investidores e incorporadores.

As grandes forças da transformação

Frankel destaca três transformações fundamentais que estão redefinindo o setor: a digitalização, a servitização da moradia e o impacto demográfico. A digitalização não é mais um diferencial; ela se tornou parte da infraestrutura básica. O conceito de moradia está mudando, não se limitando mais a planta ou localização, mas envolvendo dados e experiências conectadas.

A servitização do imóvel implica ver a moradia como um serviço, não como uma posse. As moradias se tornam sistemas interconectados, operando como plataformas de vida, onde a eficiência e a experiência do usuário são priorizadas. Além disso, o Brasil está envelhecendo rapidamente. Em menos de quinze anos, mais de 30% da população terá mais de 60 anos, aumentando a demanda por soluções que promovam autonomia e bem-estar.

A tendência dos imóveis compactos

A busca por imóveis compactos continua a crescer, mas é essencial diferenciar as propostas. Embora haja uma sobreoferta de imóveis pequenos voltados para a habitação social, os produtos que se destacam são aqueles que oferecem gestão eficiente e uma conexão com a cidade. Esses imóveis menores são ideais para quem prioriza mobilidade e praticidade.

Imóveis maiores e a questão do investimento

Os imóveis maiores ainda têm seu espaço, especialmente para famílias e em regiões consolidadas. No entanto, eles exigem um capital maior e apresentam riscos, como a menor liquidez. A análise de rentabilidade mostra que imóveis menores, bem localizados e geridos, tendem a ter maior retorno e menor vacância.

O papel dos imóveis usados e retrofit

O retrofit está ganhando força, conectando localização consolidada a novas formas de viver. Prédios existentes precisam se adaptar à nova lógica de digitalização e bem-estar. Essa atualização é uma oportunidade significativa no atual ciclo do mercado imobiliário.

A transformação do mercado imobiliário brasileiro é um reflexo das novas necessidades urbanas e demográficas. O imóvel, cada vez mais, deixa de ser apenas um produto, tornando-se um serviço que se adapta às demandas contemporâneas.