genes no sangue indicam grau de depressão e ampliam diagnóstico

estudo da usp aponta que alterações genéticas em glóbulos brancos refletem severidade da depressão e suas manifestações sistêmicas

genes no sangue indicam grau de depressão e ampliam diagnóstico
Conexão entre inflamação periférica (no sangue) e sintomas centrais (no cérebro) abre caminho para tratamentos que abordem a inflamação para aliviar sintomas depressivos • Freepik

Pesquisa da USP identifica genes no sangue que podem indicar tipo e grau da depressão, revelando seu impacto sistêmico no organismo.

Genes no sangue indicam grau de depressão e abrem novas possibilidades diagnósticas

O estudo da USP revelou que genes no sangue indicam grau de depressão, reforçando a ideia de que o transtorno é um fenômeno sistêmico que ultrapassa a esfera da saúde mental. A análise, realizada em mais de 3 mil amostras de sangue de diferentes países, identificou a desregulação genética tanto em neurônios quanto em glóbulos brancos, células do sistema imunológico. O professor Otávio Cabral-Marques coordenou a pesquisa, que aponta para um potencial exame sanguíneo capaz de identificar a severidade e o tipo de depressão.

Mapeamento genético evidencia conexão entre sistema imunológico e nervoso

A pesquisa mapeou 1.383 genes com expressão alterada em pacientes com depressão, sendo que 73 deles estão relacionados à sinapse neuronal e a vias imunológicas. Desses, 18 genes foram capazes de distinguir consistentemente indivíduos com e sem transtorno depressivo maior. Anny Silva Adri, doutoranda responsável pelo estudo, destacou que esses genes poderiam servir como indicadores biológicos acessíveis por meio do sangue, facilitando diagnósticos mais rápidos e menos invasivos em comparação com métodos que envolvem tecido cerebral.

Implicações sistêmicas da depressão e comorbidades associadas

Os resultados mostram que a depressão afeta o organismo de forma integrada, envolvendo processos inflamatórios e moleculares que impactam diversos órgãos. Os genes associados à depressão também estão vinculados a doenças como bipolaridade, psicoses, ansiedade, hipertensão, psoríase e manifestações gastrointestinais. Essa relação reforça a necessidade de tratamentos que considerem a inflamação periférica para aliviar sintomas centrais, ampliando o entendimento clínico sobre a doença.

Possibilidade de novos tratamentos baseados na inflamação periférica

A conexão entre inflamação periférica detectada no sangue e os sintomas cerebrais abre caminhos para abordagens terapêuticas inovadoras. O estudo sugere que combater processos inflamatórios no corpo pode auxiliar no controle dos sintomas depressivos, indicando uma perspectiva integrada entre neurologia e imunologia. Essa visão amplia o campo do tratamento da depressão, que tradicionalmente foca apenas no sistema nervoso central.

Desafios e próximos passos para validação biológica dos achados

Embora o estudo represente um avanço importante, os pesquisadores ressaltam que os resultados ainda precisam ser confirmados por meio de experimentos biológicos adicionais. A etapa seguinte envolve validar esses genes como marcadores confiáveis em diferentes populações e desenvolver painéis diagnósticos que possam ser aplicados na prática clínica, tornando o diagnóstico da depressão mais preciso e acessível.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br