Falta de cronograma oficial e atraso na liberação dos blocos geram críticas e incertezas para foliões e organizadores
A gestão Nunes lançou a divulgação do Carnaval em São Paulo sem definir a programação oficial, deixando blocos sem trajetos e horários confirmados a menos de três semanas da festa.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) divulgou o “maior Carnaval do Brasil” em São Paulo por meio de totens instalados na cidade, mas a programação oficial dos blocos de rua permanece indefinida a menos de três semanas do evento. Apesar da publicidade conter um QR Code para acesso à agenda dos desfiles, o conteúdo está indisponível, refletindo a ausência de definição sobre horários, trajetos e dias que os blocos poderão desfilar.
Dificuldades enfrentadas pelos blocos paulistanos
Muitos organizadores de blocos relatam que a demora da prefeitura em fornecer informações oficiais prejudica a organização dos eventos e a captação de patrocinadores. “A programação não existe ainda, e somente nesta semana foram informados os trajetos e dias autorizados para os blocos”, explica José Cury, co-fundador do Fórum de Blocos. Ele destaca que a situação é especialmente complicada para blocos pequenos e médios, que mantêm o Carnaval em São Paulo ao longo do ano.
Além do atraso na definição, a prefeitura não divulgou o resultado do edital de Fomento Cultural a Blocos de Carnaval de Rua, que disponibiliza R$ 2,5 milhões para apoiar até 100 grupos, cada um recebendo R$ 25 mil. “Ninguém sabe quem será contemplado nem quando o repasse ocorrerá”, afirma Cury. A prefeitura não informou uma previsão para a divulgação dessas informações.
Proibição do Carnaval noturno e falta de diálogo
Outro ponto de conflito é a determinação da gestão Nunes para que os desfiles terminem até as 18h, com dispersão do público às 19h, restrição que não existe em outras capitais brasileiras. Lira Alli, do Arrastão dos Blocos, considera essa medida um desrespeito à tradição do Carnaval paulistano, que sempre contou com eventos noturnos.
Organizadores também lamentam o fim da comissão de Carnaval mantida na gestão anterior, que reunia representantes diversos para planejar a festa, e apontam a ausência de diálogo com a atual gestão municipal.
Comparativo com outras capitais e situação atual
Enquanto São Paulo ainda não oficializou sua programação, outras cidades como Rio de Janeiro e Salvador já anunciaram suas agendas, com desfiles iniciados desde 17 de janeiro no Rio e pré-Carnaval em Olinda desde setembro do ano anterior. A prefeitura paulistana não tem autorizado cortejos nas ruas, e muitos blocos têm buscado espaços alternativos, como praças e locais fechados, para iniciar as celebrações.
Posicionamento da prefeitura
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que os totens fazem parte das ações do Carnaval e que a programação será disponibilizada via QR Code assim que estiver finalizada. A gestão destaca que os blocos com mais de 15 mil participantes tiveram até 15 de janeiro para enviar seus planos de operação e segurança, que estão em análise pelos órgãos competentes.
O investimento de R$ 2,5 milhões para apoio aos blocos é ressaltado como parte dos recursos destinados ao Carnaval de rua, que envolve múltiplas frentes culturais e organizacionais, além de indicar a necessidade de investimentos em outras áreas do evento.
A indefinição e a falta de comunicação continuam, porém, gerando incertezas para organizadores e foliões, que esperam uma definição rápida para garantir o sucesso do Carnaval paulistano em 2026.





