Concessionárias de rodovias temem impacto em contratos e pretendem negociar antes de recorrer à Justiça

Promessas de governadores eleitos de reduzir tarifas ou acabar com pedágios acendem sinal de alerta no setor de concessões rodoviárias
Promessas de governadores eleitos de reduzir tarifas ou acabar com pedágios acenderam um sinal de alerta no setor de concessões rodoviárias. Sergio Moro (Paraná), Marcos Rogério (Rondônia), Dr. Daniel (Pará) e Cleitinho (Minas Gerais) fizeram declarações sobre mudanças na cobrança ou nos contratos de pedágio após o segundo turno das eleições, segundo apurou reportagem.
No Paraná, Moro prometeu intensificar a fiscalização das obras e das tarifas das seis concessões rodoviárias federais que passam pelo estado. O governador eleito também defendeu criar um observatório digital para que a população acompanhe o andamento dos investimentos.
Moro afirmou que pretende negociar com as concessionárias a possibilidade de reduzir os preços. O futuro governador, porém, declarou que os contratos serão respeitados e que o governo cobrará o cumprimento das obrigações pelas empresas.
Em Rondônia, Marcos Rogério prometeu pressionar pela redução do pedágio da BR-364, cujas tarifas chegam a cerca de R$ 37 em uma das praças. O governador eleito também anunciou a intenção de construir uma rodovia alternativa para diminuir a dependência da estrada federal.
Marcos Rogério afirmou que pretende discutir os valores da concessão e disse ter conversado sobre o tema com Flávio Bolsonaro. No Pará, Dr. Daniel anunciou a intenção de acabar com os pedágios nas rodovias estaduais.
Em Minas Gerais, Cleitinho prometeu rever os contratos de concessão e questionou o modelo de cobrança. O governador eleito defendeu que a instalação de praças esteja associada à realização de investimentos nas estradas.
A preocupação das concessionárias envolve a possibilidade de medidas dos governos estaduais afetarem contratos em vigor, inclusive em rodovias concedidas pela União. No caso do Paraná, as seis concessões federais começaram a operar entre 2023 e 2026 e têm investimentos bilionários previstos.
O setor de rodovias pretende discutir as propostas com os novos governadores e buscar soluções negociadas antes de judicializar eventuais conflitos, conforme informaram representantes das concessionárias.






