Governo brasileiro avalia riscos e avanços no acordo Mercosul-União Europeia

Judicialização ameaça cronograma, mas barreira do Tribunal Europeu é considerada improvável

Governo brasileiro avalia riscos e avanços no acordo Mercosul-União Europeia
Foto: UE (Reprodução/CNN)

O governo teme atrasos no acordo Mercosul-União Europeia devido à judicialização, mas considera remota a possibilidade de bloqueio pelo Tribunal Europeu.

O recente acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia representa um marco após 26 anos de intensas negociações, prometendo ampliar o comércio entre os dois blocos. No entanto, o governo brasileiro expressa preocupação com possíveis atrasos em sua implementação, especialmente devido à judicialização que o tratado enfrenta.

O temor do governo brasileiro sobre a judicialização

Fontes da diplomacia brasileira revelam que, apesar do otimismo em relação à aprovação final do acordo, há apreensão quanto ao tempo que o processo poderá levar. A decisão do Parlamento Europeu de encaminhar o tratado para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia implica uma avaliação jurídica que pode durar entre 16 e 18 meses. Embora o governo não acredite que o Tribunal venha a barrar o acordo, o simples fato da análise prolonga a entrada em vigor do tratado.

Avanços e estratégias para aprovação parlamentar

Com o tratado assinado em Assunção, no Paraguai, no sábado, o próximo passo crucial consiste nas ratificações nos parlamentos nacionais dos países membros do Mercosul e da União Europeia. Os diplomatas brasileiros entendem que cabe ao Mercosul acelerar essa aprovação interna para pressionar a contraparte europeia, numa espécie de “jogar a bola para o outro lado da quadra”. Essa estratégia visa criar um cenário onde a União Europeia tenha que corresponder ao avanço do bloco sul-americano.

O papel do Tribunal de Justiça da União Europeia

O Tribunal avalia os fundamentos jurídicos do acordo comercial. Caso emita parecer negativo, as regras pactuadas não poderão entrar em vigor sem que haja alterações no conteúdo do tratado. Essa análise, embora necessária, representa um entrave temporário que pode atrasar o início do livre comércio entre os dois blocos econômicos.

A possibilidade de implementação provisória do acordo

Em um movimento considerado inovador e até controverso, a Comissão Europeia está avaliando a viabilidade de implementar o acordo de forma provisória, mesmo sem a ratificação legislativa completa. Esse mecanismo, previsto nos termos finais do tratado, seria um “drible” no Parlamento Europeu e na Corte de Justiça, acelerando sua vigência. Entretanto, tal procedimento jamais foi utilizado pela União Europeia em acordos anteriores, o que torna sua adoção incerta e sujeita a debates políticos e jurídicos.

Impactos para o comércio e para os negociadores

A demora na ratificação do acordo pode afetar setores econômicos importantes que aguardam a redução de tarifas e o incremento do comércio bilateral. Por outro lado, o passo decisivo rumo ao tratado abre espaço para negociações políticas internas em cada um dos países membros, refletindo a complexidade de um acordo amplo e ambicioso que visa integrar mercados de diferentes continentes.

O cenário atual revela que, apesar do avanço significativo com a assinatura, o caminho para a entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia ainda é permeado por desafios legais e políticos, que exigirão articulação diplomática e estratégica de todas as partes envolvidas.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: UE (Reprodução/CNN)