Governo deve prorrogar medidas para controlar preços de combustíveis

Incertezas da guerra no Oriente Médio ampliam estratégia de redução de tributos para conter alta dos preços

Governo deve prorrogar medidas para controlar preços de combustíveis
Abastecimento em posto de combustível Foto: Breno Esaki/Metrópoles

Incertezas da guerra no Oriente Médio levam governo a estender medidas sobre combustíveis para conter alta dos preços no Brasil.

Impactos da guerra no Oriente Médio nas medidas sobre combustíveis

A incerteza gerada pela guerra no Oriente Médio tem levado o governo brasileiro a avaliar a prorrogação das medidas sobre combustíveis, principalmente aquelas voltadas para a redução de tributos. Essa estratégia foi reforçada no pacote anunciado em 23 de abril de 2026 e envolve a diminuição das alíquotas de PIS/Cofins e Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). O objetivo é conter a alta dos preços diante da volatilidade do mercado internacional e proteger o poder de compra dos consumidores.

A estratégia fiscal para compensar perdas com redução de tributos

Para implementar a desoneração tributária, o governo encaminhou um projeto de lei complementar ao Congresso Nacional que autoriza o uso excepcional de receitas extraordinárias geradas pela alta do petróleo no mercado mundial. Essa manobra busca compensar a perda de arrecadação e assegurar o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Segundo análise da Warren Investimentos, o custo mensal dessas medidas pode atingir cerca de R$ 4 bilhões, o que torna essa estratégia fiscal um desafio constante em meio às incertezas dos preços internacionais.

Pressão dos conflitos no Golfo Pérsico sobre o mercado global de petróleo

O conflito entre Irã e Estados Unidos impacta diretamente o preço do petróleo, pois a região é estratégica na produção e transporte da commodity. O aumento do risco de interrupções na oferta eleva as cotações internacionais, que são rapidamente refletidas nos preços da gasolina e do diesel. Ricardo Summa destaca que cada aumento de 10% no preço do barril em dólar pode gerar aproximadamente 0,5% de inflação ao consumidor, afetando custos de transporte, produção e logística em todo o país.

Medidas adotadas para conter a alta dos combustíveis no Brasil

Além da redução dos tributos federais, o governo já vinha adotando outras iniciativas para segurar os preços. Entre elas, a concessão de subsídios ao diesel para o transporte de cargas, evitando impacto imediato no frete e nos alimentos. Também houve articulação junto aos estados para flexibilizar o ICMS sobre combustíveis, um imposto estadual que influencia diretamente o preço final. O prazo para adesão dos estados a essa medida foi estendido até 5 de maio de 2026. O governo ainda investe em mecanismos de concorrência e monitoramento para garantir que eventuais reduções sejam repassadas ao consumidor.

Expectativas e desafios para o futuro das medidas sobre combustíveis

Diante da incerteza sobre a duração do conflito no Oriente Médio, especialistas preveem que as medidas sobre combustíveis serão renovadas ou ajustadas conforme a evolução do cenário externo. O projeto enviado ao Congresso permite revisões periódicas para recalibrar a política. Mesmo que o conflito seja resolvido rapidamente, a queda imediata nos preços não é garantida devido às complexas cadeias logísticas do petróleo. A estratégia governamental deve continuar focada em ações temporárias e adaptáveis para mitigar os impactos na inflação e no custo de vida da população, embora sua eficácia dependa de fatores externos sobre os quais o Brasil tem pouca influência.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Breno Esaki/Metrópoles