Governo inicia processo para aplicar lei da reciprocidade econômica contra os EUA

Camex tem 30 dias para avaliar contramedidas após análise do Itamaraty

Governo inicia processo para aplicar lei da reciprocidade econômica contra os EUA
Lula em pronunciamento após decisão de acionar trâmites comerciais — Foto: m, os presidentes Lula (esq

Presidência autorizou abertura de processo para aplicar a lei da reciprocidade econômica; Camex tem 30 dias para decidir sobre contramedidas.

O Palácio do Planalto autorizou a abertura do processo para aplicar a lei da reciprocidade econômica em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida foi formalizada após envio de um parecer do Ministério das Relações Exteriores à Câmara de Comércio Exterior (Camex), que passa a ter prazo de 30 dias para decidir sobre eventual aplicação de contramedidas.

Contexto e prazos para a lei da reciprocidade econômica

A legislação, aprovada pelo Congresso em abril de 2025, prevê que o Brasil pode suspender concessões comerciais quando medidas unilaterais de outro país prejudicarem a competitividade nacional. O processo acionado agora segue o decreto que regulamenta a norma e estabelece prazos e a possibilidade de o país alvo se manifestar.

A iniciativa surge após o governo norte-americano impor tarifas elevadas sobre uma gama de produtos brasileiros. A avaliação interna é de que abrir o trâmite administrativo permitirá avaliar formalmente se há violação à reciprocidade e definir respostas proporcionais ao dano identificado.

Decisão tomada e próximos passos no gabinete e na Camex

  • O Itamaraty submeteu à Camex uma análise técnica das medidas adotadas pelos Estados Unidos, com base no decreto regulamentador da lei.
  • A Camex terá 30 dias para concluir se as tarifas americanas se enquadram na hipótese prevista e, se afirmativo, propor contramedidas.
  • Durante o processo administrativo, os EUA poderão se manifestar; o governo brasileiro prevê notificar formalmente o governo norte-americano.
  • A Advocacia-Geral da União contratou escritório internacional para atuar em ações judiciais paralelas às medidas administrativas.

Esses passos foram confirmados por ministérios envolvidos após reunião do presidente com ministros e dirigentes do partido nas últimas 24 horas.

“Não vou ficar mendigando uma conversa”

Impactos para indústria, comércio e diálogo diplomático

  • Setor siderúrgico: risco de tarifas que reduzem exportações — por que importa: pode pressionar faturamento e empregos; afetados: produtores e trabalhadores do setor.
  • Agronegócio: exposição a barreiras tarifárias — por que importa: mercados alternativos podem absorver parte das vendas, mas com custos logísticos; afetados: exportadores e cooperativas.
  • Cadeias industriais: aumento de custos de insumos importados — por que importa: competitividade pode cair; afetados: indústria manufatureira e consumidores finais.
  • Relações bilaterais: escalada diplomática possível — por que importa: pode reduzir diálogo político e econômico; afetados: negociadores e empresas com negócios entre os países.
  • Política interna: uso do tema como eixo de comunicação sobre soberania — por que importa: reforça narrativa governamental; afetados: opinião pública e atores políticos.

Esses pontos refletem efeitos imediatos e potenciais consequências econômicas, caso a Camex decida pela aplicação de contramedidas. A proporcionalidade das medidas será um critério central, conforme prevê a lei.

O que acompanhar a partir de agora para os próximos dias

O calendário prevê que a Camex conclua sua análise em até 30 dias úteis, prazo no qual serão avaliados relatórios técnicos e a possibilidade de diálogo com os EUA. Paralelamente, a AGU deve encaminhar ações judiciais no exterior para questionar as tarifas por vias legais.

Fontes do setor destacam que sinais de flexibilização nos preços internacionais e negociações entre autoridades econômicas poderão alterar cenários. Entre os indicadores a observar estão decisões da Camex, eventuais manifestações formais dos EUA, e comunicações oficiais sobre medidas provisórias ou acordos setoriais.

A movimentação também terá reflexo na agenda política doméstica: o governo adotou uma retórica centrada na defesa da soberania e usa a estratégia para reforçar diálogo com parceiros alternativos de comércio.

Nos próximos dias, serão pontos-chave:

  • Diário da Camex: publicação de deliberação ou documento técnico — sinalizador do rumo administrativo.
  • Comunicado oficial dos EUA: se houver resposta formal, pode abrir espaço para negociação.
  • Andamento das ações contratadas pela AGU no exterior: possível impacto jurídico sobre as tarifas.

A decisão de acionar o mecanismo da lei da reciprocidade econômica marca a primeira vez que o instrumento poderá ser utilizado de forma efetiva. O desfecho dependerá da avaliação técnica da Camex e dos desdobramentos diplomáticos nos prazos estabelecidos.

O que muda para o comércio brasileiro é em grande parte condicional: se a Camex aprovar contramedidas, estas deverão ser calibradas para refletir a extensão do prejuízo identificado, preservando canais de diálogo e evitando escaladas desnecessárias. Enquanto isso, o governo reforça que continuará buscando alternativas de mercado e ressaltando laços comerciais com outros parceiros.

O acompanhamento das próximas semanas será determinante para entender se a iniciativa administrativa evoluirá para sanções recíprocas ou para negociações que reduzam as barreiras impostas. Em qualquer cenário, a aplicação da lei da reciprocidade econômica estabelece um novo instrumento formal nas respostas comerciais do país.

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