Impasse se prolonga com propostas de PPP e dilemas financeiros.

Decisão sobre Angra 3 adiada para 2026, prolongando impasse da Eletronuclear.
O governo Lula adiou a decisão sobre a continuidade das obras da usina nuclear Angra 3 para 2026, o que intensifica o impasse que a Eletronuclear enfrenta em termos financeiros. A estatal tem lutado para gerenciar suas despesas enquanto continua a pagar custos associados ao projeto, que já se arrasta por décadas.
O dilema da conclusão das obras
A responsabilidade pela decisão sobre Angra 3 recai sobre o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A reunião marcada para discutir o futuro da usina foi adiada, evidenciando a falta de consenso entre os ministros sobre como proceder. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é a favor da continuidade, argumentando que a obra não deve se tornar um “mausoléu”, mas a resistência interna persiste.
O custo estimado para concluir Angra 3 gira em torno de R$ 24 bilhões. No entanto, se o governo optar por enterrar o projeto, o custo pode chegar a R$ 26 bilhões, considerando também a necessidade de investimentos futuros. A discussão sobre a viabilidade financeira e os riscos de novas paralisações são pontos críticos na avaliação do projeto.
Propostas de Parceria Público-Privada
Uma das alternativas em análise é a conclusão das obras através de uma Parceria Público-Privada (PPP). Este modelo visa acelerar a execução do projeto e mitigar os riscos de atrasos e sobrecustos. A proposta sugere que um parceiro privado assuma a responsabilidade pela execução e manutenção da usina, com o governo pagando apenas após a entrega do projeto, em conformidade com critérios de desempenho.
No entanto, a implementação de uma PPP enfrenta desafios, como a necessidade de garantir que o controle operacional da usina permaneça com o Estado, devido à natureza do setor nuclear. A resistência entre técnicos e especialistas também se baseia no medo de que, ao seguir essa rota, o governo possa novamente enfrentar atrasos e custos adicionais, repetindo a história de problemas anteriores.
A situação financeira da Eletronuclear
A Eletronuclear enfrenta uma situação financeira crítica, com dificuldades para arcar com suas obrigações. Recentemente, a estatal conseguiu adiar uma dívida significativa, mas a pressão sobre suas finanças permanece alta. A indecisão em torno de Angra 3 tem contribuído para o esgotamento de recursos, com gastos contínuos com manutenção de equipamentos e contratos.
A estatal buscou um aporte de R$ 1,4 bilhão do governo, mas não obteve sucesso. O cenário atual implica que, se a obra for concluída, a Eletronuclear precisará contrair novos empréstimos para financiar os custos, agravando ainda mais sua situação financeira.
O impacto das decisões futuras
A indefinição sobre o futuro de Angra 3 não apenas afeta a Eletronuclear, mas também traz implicações para o setor energético brasileiro como um todo. A decisão de continuar ou não com a obra terá impactos significativos na política energética do país, além de influenciar o equilíbrio financeiro da estatal.
Assim, enquanto o governo se prepara para retomar as discussões em 2026, a necessidade de uma solução eficaz e sustentável para Angra 3 se torna cada vez mais urgente.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: AFP





