Governo Lula revoga decreto sobre hidrovias após pressão de povos indígenas

Revogação do decreto 12.600 atende reivindicação de comunidades do Baixo Tapajós para preservar territórios e modos de vida

Governo Lula revoga decreto sobre hidrovias após pressão de povos indígenas
Governo revoga decreto sobre concessão de hidrovias na Amazônia (Secretaria-Geral da Presidência/Divulgação)

Governo Lula revoga decreto 12.600 após protestos indígenas no Baixo Tapajós, suspendendo concessão de hidrovias que ameaçavam comunidades locais.

Confira a programação dos protestos indígenas e locais de manifestação

Baixo Tapajós (Oeste do Pará): Ocupação do escritório da multinacional Cargill no Porto de Santarém
Brasília (Distrito Federal): Acampamento e protestos em frente ao Palácio do Planalto

  • São Paulo (SP): Manifestações em locais públicos contra o decreto 12.600

Entenda a revogação do decreto 12.600 e sua importância para os povos indígenas

A revogação do decreto 12.600 pelo governo Lula, anunciada em 23 de fevereiro, é resultado direto da mobilização dos povos indígenas do Baixo Tapajós. Este decreto previa estudos para concessão da hidrovia do Rio Tapajós, Madeira e Tocantins à iniciativa privada, o que gerou forte resistência das comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas da região. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, foram protagonistas no diálogo que levou à decisão, evidenciando o compromisso governamental com a escuta das populações tradicionais.

Impactos previstos da concessão da hidrovia sobre territórios e modos de vida

As hidrovias planejadas seriam importantes para o escoamento do agronegócio, especialmente produtos do Mato Grosso que utilizam portos no Pará. Contudo, as obras e a dragagem do leito do Rio Tapajós ameaçavam o equilíbrio ambiental e cultural da região, afetando cerca de 7 mil indígenas de 14 etnias, segundo o Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA). Os impactos ambientais incluíam riscos de erosão, contaminação e danos irreversíveis à biodiversidade, além da perturbação dos modos de vida, espiritualidade e subsistência das comunidades locais.

Histórico das mobilizações indígenas e o papel das consultas prévias previstas em convenções internacionais

Desde o ano anterior, as comunidades indígenas realizaram protestos expressivos, incluindo a interdição da entrada da COP30 e ocupações simbólicas em pontos estratégicos. O governo havia assumido compromisso público, durante a COP30, de realizar consulta prévia, livre e informada conforme a Convenção nº 169 da Organização das Nações Unidas (ONU), assegurando os direitos dos povos indígenas à participação e decisão sobre empreendimentos em seus territórios.

Perspectivas futuras para a gestão dos recursos hídricos e diálogo com as comunidades tradicionais

Com a revogação do decreto, o governo suspendeu o processo de contratação para dragagem do Rio Tapajós, reafirmando o compromisso com os direitos indígenas. A decisão abre espaço para uma discussão mais aprofundada sobre a gestão sustentável das hidrovias, conciliando desenvolvimento logístico e preservação ambiental e cultural. O diálogo estabelecido representa um avanço na política de proteção dos povos originários e no respeito aos acordos internacionais que garantem sua autonomia e participação nas decisões que afetam suas vidas.