Governo planeja ampliar verba do vale-gás diante de adesão lenta das revendas

Programa Gás do Povo enfrenta desafios na adesão de revendedoras e busca ampliar recursos para alcançar 15 milhões de famílias

Governo planeja ampliar verba do vale-gás diante de adesão lenta das revendas
Botijões de gás distribuidos em revenda autorizada no Brasil. Foto: AFP

O governo estuda ampliar recursos do vale-gás devido à lenta adesão das revendas, buscando alcançar 15 milhões de famílias beneficiárias.

Governo planeja ampliar verba do vale-gás frente à adesão irregular das revendas

O vale-gás, conhecido oficialmente como programa Gás do Povo, tem como objetivo beneficiar até 15 milhões de famílias, mas enfrenta um ritmo de adesão das revendedoras abaixo do esperado. O governo federal, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, avalia ampliar a verba destinada ao programa para superar esses obstáculos durante a implementação gradual iniciada em novembro de 2025.

Impactos da baixa adesão das revendedoras no alcance do programa social

A adesão voluntária das revendas é um ponto central para o sucesso do Gás do Povo. Enquanto cidades como Fortaleza e Salvador apresentam adesão superior a 60%, outras capitais como Goiânia e Natal mostram números inferiores a 45%. Essa disparidade gera preocupação sobre o alcance efetivo do benefício para as famílias cadastradas, especialmente para aquelas inscritas no CadÚnico e beneficiárias do Bolsa Família.

Segundo Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindigas, o valor pago pelo governo às revendas é decisivo para a participação. “Algumas não desejaram aderir, o que é legítimo”, destaca. A resistência política em setores da iniciativa privada também contribui para a lentidão no credenciamento.

Estratégias econômicas para aumentar a remuneração e adesão das revendas

Para estimular a participação, o governo propôs reajustes que buscam driblar o aumento do ICMS estadual sobre o gás, que subiu de R$ 1,39/kg para R$ 1,47/kg a partir de 1º de janeiro de 2026. O ajuste inicial prevê um impacto de cerca de R$ 59 milhões, aprovado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e parcialmente pela equipe econômica, visando garantir remuneração adequada e a correta execução do programa nas revendas.

Além disso, os recursos previstos para o programa no Orçamento de 2026 foram inicialmente fixados em R$ 5,1 bilhões, reduzidos para R$ 4,7 bilhões pelo Congresso. O MME discute ampliar novamente esse valor para R$ 5,8 bilhões, buscando contemplar integralmente as famílias do Bolsa Família.

Estrutura operacional do Gás do Povo e perfil dos beneficiários

No modelo adotado, as famílias beneficiárias devem retirar o botijão de 13 quilos nas revendas credenciadas, que recebem o pagamento da Caixa Econômica Federal em até dois dias. A prioridade é para famílias com renda per capita igual ou inferior a meio salário mínimo, inscritas no CadÚnico e com composição familiar de duas ou mais pessoas.

O programa prevê entre quatro e seis recargas anuais por família, conforme o tamanho do grupo familiar. Na primeira fase, 1.600 revendas estão credenciadas em dez capitais, com 98% das famílias tendo uma revenda autorizada a até 2 km de distância, garantindo facilidade de acesso.

Perspectivas eleitorais e sociais para o vale-gás em 2026

O Gás do Povo é uma das apostas eleitorais do governo Lula para 2026, buscando consolidar uma política social mais eficiente do que o Auxílio Gás, que possibilitava o uso dos recursos para outras finalidades. A expectativa é que, com o aumento de recursos e ajustes na remuneração, a adesão das revendedoras cresça e o programa alcance ampla cobertura territorial.

A implementação gradual até março de 2026 visa assegurar que o benefício seja efetivamente entregue às famílias mais vulneráveis, fortalecendo a segurança energética e o apoio social num cenário de alta relevância política e econômica.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: AFP