Mudança na gestão da saúde gera greve na Unicamp

Servidores protestam contra proposta de autarquização do complexo de saúde da universidade.

Servidores da Unicamp realizam greve e protesto contra proposta de autarquização do complexo de saúde, programada para votação.

Consequências da proposta de autarquização

A greve dos servidores da Unicamp, que teve início nesta segunda-feira, é um reflexo direto da insatisfação com a proposta de transformação do complexo de saúde em uma autarquia. O projeto, que deve ser votado no Conselho Universitário em 16 de dezembro, despertou receios entre os trabalhadores sobre a perda de controle administrativo e financeiro da área da saúde. Segundo o STU, a autarquização significaria um desvio de recursos significativos, que poderiam impactar a qualidade do atendimento.

O que está em jogo na votação

De acordo com a proposta, a área de saúde da Unicamp, atualmente integrada à estrutura administrativa da universidade, seria reestruturada como o Hospital das Clínicas da Unicamp (HC-Unicamp). Essa mudança implicaria que cerca de 17% do orçamento, equivalente a R$ 1,1 bilhão, deixaria de ser alocado para a saúde e seria direcionado para a expansão acadêmica e infraestrutura. Os servidores temem que a autarquização possa resultar em demissões em massa e na deterioração dos serviços oferecidos.

A repercussão da greve

A manifestação, que contou com a participação de cerca de 30% dos servidores da saúde, foi marcada por uma passeata dentro do campus da universidade. Os trabalhadores exibiram faixas e foram acompanhados por um carro de som, expressando suas preocupações com os impactos da proposta. Enquanto algumas áreas, como os ambulatórios e as cirurgias eletivas, sofreram paralisação, o Hospital de Clínicas garantiu que as atividades assistenciais permanecem normais.

O futuro da saúde na Unicamp

A proposta de autarquização apresenta um cronograma que prevê a sua aprovação no primeiro semestre de 2026, com a estruturação administrativa e financeira ocorrendo entre 2026 e 2027, e a expansão do projeto se estendendo até 2036. Essa fase de transição levanta questionamentos sobre como serão geridos os serviços de saúde e quais garantias serão dadas aos servidores e à população atendida. A mobilização dos trabalhadores, portanto, é um indicativo da preocupação com o futuro do complexo de saúde da Unicamp e o atendimento à comunidade.

A decisão sobre a autarquização será um ponto crucial para definir não apenas o futuro da saúde na Unicamp, mas também as condições de trabalho para os servidores que atuam na linha de frente do atendimento à saúde da população.