Pré-candidato do PT ao governo de São Paulo critica processo de privatização e questiona transparência da desestatização

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad — Foto: Reprodução/EPTV
Fernando Haddad rejeita privatização da Sabesp e avalia prejuízos de 3,5 a 4 bilhões. Crítica abrange falta de transparência e problemas operacionais após desestatização.
Haddad questiona viabilidade da privatização da Sabesp em crítica ao modelo de desestatização em Santa Gertrudes (16)
Fernando Haddad voltou a atacar a privatização Sabesp durante encontro com lideranças da indústria ceramista no interior paulista. O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo classificou a operação como equívoca e prejudicial ao estado, reforçando críticas anteriores sobre a falta de transparência no processo.
Acusações de falta de transparência no processo de venda
Haddad argumenta que a desestatização ocorreu em condições que restringem a concorrência. De acordo com sua análise, o processo foi estruturado de modo a excluir potenciais compradores através da inclusão de “cláusulas indesejáveis”. Com isso, apenas uma empresa viável permaneceu na disputa final.
O cenário resultante, conforme Haddad, pressiona para baixo o valor de venda. Sem concorrentes reais, o preço cai e a administração estadual teria optado por vender quotas adicionais em negociação fechada, escolhendo o destinatário sem abertura pública.
Cifras e prejuízos financeiros da operação
O ex-ministro da Fazenda estima perdas entre 3,5 e 4 bilhões de reais na operação de venda. O cálculo compara o preço final obtido com valores de mercado similares. Além do prejuízo direto, Haddad menciona impactos indiretos: majoração de tarifas para consumidores, obras de qualidade inferior e incidentes operacionais graves.
A referência inclui acidente em maio na Zona Oeste de São Paulo, quando tubulação de gás foi atingida durante trabalho da empresa, causando explosão, duas mortes e danos a 46 imóveis. Haddad usa o episódio para demonstrar riscos da privatização e negligência pós-venda.
Proposta de revisão administrativa da companhia
Questionado sobre medidas futuras, Haddad afirmou ser necessário “reconhecer o erro de como tudo foi feito”. Sua primeira ação seria introduzir concorrência genuína no setor. Ele critica o afunilamento processual que eliminou competidores viáveis.
O modelo alternativo sugere reconstrução de cenário competitivo, impedindo que uma única empresa domine a operação. Isso permitiria, segundo sua lógica, melhores condições de preço e serviço para o estado e usuários finais.
Contexto político de críticas reiteradas
As declarações em Santa Gertrudes repetem posicionamento divulgado um dia antes em evento de revista especializada. Haddad tem mantido linha coerente de oposição à desestatização desde sua discussão pública com o governador responsável pela operação.
A estratégia de Haddad identifica a privatização como tema mobilizador entre eleitores ligados a políticas públicas e serviços essenciais. A insistência em ciclos de crítica sugere aposta em diferenciação política para a campanha estadual que se aproxima.





