Conselho Presidencial de Transição conclui mandato e governo enfrenta desafio para garantir estabilidade política e segurança

Conselho Presidencial de Transição do Haiti encerra mandato sob pressão dos EUA, destacando desafios políticos e segurança no país caribenho.
Contexto do encerramento do Conselho Presidencial de Transição no Haiti
O Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti encerrou seu mandato de dois anos neste sábado, 7 de fevereiro de 2026, em meio a uma pressão diplomática significativa dos Estados Unidos. O CPT assumiu o comando do país em abril de 2024, após um período de instabilidade que culminou na renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry, sucedido por um contexto político marcado pelo assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021. O primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, nomeado pelo CPT, ficou responsável por liderar o governo até as eleições previstas para o segundo semestre de 2026.
Ameaça dos Estados Unidos e a manutenção do governo de Alix Didier Fils-Aimé
A tentativa de destituição do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, anunciada pelo próprio CPT às vésperas do encerramento do mandato, suscitou uma reação imediata dos Estados Unidos. Washington enviou três navios de guerra à Baía de Porto Príncipe como parte da Operação Lança do Sul, demonstrando um compromisso firme com a estabilidade na região. A embaixada norte-americana declarou que qualquer mudança na composição do governo haitiano que ameace a estabilidade regional seria confrontada com medidas apropriadas. Essa intervenção diplomática foi decisiva para garantir a permanência de Fils-Aimé e evitar um vácuo político.
Desafios de segurança e controle territorial no Haiti pós-Conselho
Desde a posse do CPT, a segurança no Haiti passou por melhorias, sobretudo na recuperação de áreas anteriormente dominadas por gangues armadas na capital Porto-Príncipe. O professor Ricardo Seitenfus, especialista em relações internacionais e Haiti, observa que bairros inteiros estão sendo liberados dos grupos criminosos, o que representa avanços importantes para a segurança pública. Apesar disso, o país ainda enfrenta o desafio de reconquistar territórios e estabelecer a ordem, o que é fundamental para a realização das eleições e para a estabilidade política.
Importância das eleições para o futuro político haitiano
O principal objetivo do Conselho Presidencial de Transição foi preparar o caminho para eleições gerais, fundamentais para legitimar o governo e restaurar a democracia. A ausência de eleições desde 2016 contribuiu para a crise institucional no país. Segundo especialistas, a realização das eleições entre outubro e novembro de 2026 deve ser prioridade para o governo, pois, embora não resolvam todos os problemas, são imprescindíveis para a estabilidade e o desenvolvimento nacional.
Missões internacionais e apoio para combate às gangues e fortalecimento da polícia
O governo haitiano tem contado com o apoio internacional para enfrentar questões de segurança, incluindo a missão policial liderada pelo Quênia e a Força Multinacional de Repressão a Gangues aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU. Esses esforços buscam fortalecer a Polícia Nacional do Haiti e combater a violência das gangues que ameaçam a ordem pública. Paralelamente, o governo recorre a mercenários estrangeiros para ampliar o combate às organizações criminosas, numa tentativa de garantir um ambiente seguro para as próximas eleições.
Perspectivas e desafios para o país após o término do CPT
Com o encerramento do mandato do Conselho Presidencial de Transição, o Haiti entra em uma nova fase política marcada por incertezas, mas também por oportunidades de reconstrução institucional. A manutenção do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, garantida pela pressão internacional, terá papel central na condução do país até as eleições. A comunidade internacional e os atores nacionais precisam focar em consolidar a segurança e promover o diálogo político, evitando um vácuo de poder que possa agravar a crise. As eleições permanecem como o caminho essencial para a retomada da estabilidade democrática no Haiti.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
Fonte: Laurent Saint-Cyr/Alix Didier Fils-Aimé/X





