MPF exige a desativação de memorial em tributo ao ditador.

A Universidade de Caxias do Sul homenageou o ditador Geisel, e o MPF já entrou com ação judicial.
A homenagem ao ex-presidente Ernesto Geisel, feita pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), provocou uma forte reação do Ministério Público Federal (MPF), que decidiu acionar a Justiça para contestar a iniciativa. O memorial, inaugurado em 19 de novembro de 2025, é classificado pelo MPF como uma violação direta aos direitos à memória e à verdade, além de ser um afronta à dignidade das vítimas do regime militar brasileiro.
O contexto da homenagem
Ernesto Geisel foi o quarto presidente do Brasil durante o período da ditadura militar, governando de 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979. Natural de Bento Gonçalves, Geisel é uma figura polêmica, admirada por alguns e criticada por outros, especialmente por sua relação com os crimes de lesa-humanidade cometidos durante sua presidência. A homenagem na UCS tem gerado debates sobre a memória histórica e a necessidade de se respeitar a dignidade das vítimas do regime militar.
Detalhes da ação do MPF
Após a recusa da universidade em atender a uma recomendação do MPF para remover o memorial, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul (PRDC/RS) entrou com uma ação civil pública. O MPF pede uma medida liminar para que o espaço homenageando Geisel seja imediatamente desativado, sob pena de multa diária de R$10 mil. Além disso, a ação requer a indenização de R$1 milhão por danos morais coletivos, valor que seria destinado a projetos educativos e de direitos humanos.
Impactos e reflexões
O MPF destaca que a exaltação de figuras ligadas à repressão fere o patrimônio imaterial da União e a ordem democrática do país. A ação também propõe que, após a desativação do memorial, o espaço seja utilizado para um novo tributo às vítimas da ditadura e à promoção da verdade histórica. A controvérsia levantada pelo memorial de Geisel reflete uma discussão mais ampla sobre como o Brasil lida com seu passado autoritário e a importância de se reconhecer e respeitar a memória das vítimas.
A reportagem tentou contato com a UCS, mas ainda aguarda retorno sobre a posição da instituição em relação à ação do MPF.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Arquivo Público de SC





