Auditoria revela passivos tributários e patrimônio negativo, enquanto federalização do hospital avança sob prazo apertado

Hospital Municipal Padre Germano Lauck fechou 2025 com rombo de R$ 70,17 milhões e passivos tributários sem atualização, segundo auditoria oficial.
Rombo financeiro do Hospital Municipal Padre Germano Lauck em 2025
O rombo financeiro hospital municipal registrado em 2025 alcançou R$ 70.171.955,64 no Hospital Municipal Padre Germano Lauck (HMPGL), em Foz do Iguaçu. Este dado foi apresentado nas demonstrações contábeis de 2024 e 2025, divulgadas no Diário Oficial do Município em 28 de fevereiro de 2026. A auditoria independente, conduzida pela contadora Maria Elizabete Morais, identificou limitações importantes na apuração dos passivos e patrimônio, emitindo um relatório com ressalvas.
Passivos tributários sem atualização e suas consequências para o hospital
A auditoria revelou que o hospital mantém obrigações tributárias de exercícios anteriores no valor de R$ 7.469.501,19, que não foram atualizadas por juros ou multas. Entre essas, destacam-se débitos relativos a PIS, Cofins, CSLL sobre serviços de terceiros, totalizando R$ 3.693.031,17, além do IRRF sobre salários, que soma R$ 3.776.470,02. Essa falta de atualização dificulta a correta avaliação do passivo e contribui para a incerteza financeira da instituição.
Deterioração patrimonial e dependência dos repasses municipais
O patrimônio líquido do hospital apresentou uma queda nominal de 9,6% em relação a 2024, passando de R$ 64.010.242,65 negativos para R$ 70.171.955,64 negativos em 2025. Essa deterioração evidencia a dificuldade de equilíbrio financeiro da entidade. O relatório reforça que a continuidade das operações do HMPGL depende diretamente da regularidade dos repasses financeiros do Município, que estão formalizados pelo Contrato de Gestão nº 349/2023 e pelo Plano Operativo Assistencial.
Processo de federalização e desafios para a transferência da gestão em 2026
A publicação da auditoria coincide com o processo de extinção da Fundação Municipal de Saúde e a federalização do hospital. A Lei nº 5.552/2025 estabeleceu o prazo de até 365 dias, a partir de 22 de junho de 2025, para a transferência da gestão para a Autarquia Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu, limite que se aproxima em junho de 2026. A transição tem como objetivo transformar o hospital em unidade universitária sob administração da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).
Implicações das ressalvas da auditoria para a transição administrativa
As ressalvas no relatório, a existência de passivos tributários sem atualização e a impossibilidade de mensurar seus efeitos impactam a transferência de ativos, passivos e responsabilidades para a nova estrutura administrativa. Além disso, a federalização ainda depende de etapas pendentes, como a regularização do imóvel e a definição das condições para a transferência. O coronel Jorge Ricardo Áureo Ferreira, atual diretor da Fundação e do hospital, é responsável pela condução desse processo, mas não respondeu aos questionamentos sobre a situação contábil e a auditoria.
Contexto e perspectivas futuras para o hospital em Foz do Iguaçu
O rombo financeiro e as incertezas contábeis colocam em risco a estabilidade operacional do Hospital Municipal Padre Germano Lauck. Enquanto a federalização busca garantir maior sustentabilidade e aprimoramento dos serviços, o prazo legal apertado e as pendências administrativas representam um desafio significativo. A transparência e a resolução das questões tributárias serão fundamentais para assegurar uma transição eficaz e a continuidade do atendimento à população de Foz do Iguaçu.





