Hugo Motta decide não adiar cassações para 2026

Presidente da Câmara antecipa decisões sobre processos de cassação de deputados.

Hugo Motta antecipa cassações na Câmara para evitar que se arrastem para 2026.

Um fim de ano conturbado na Câmara

Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, anunciou sua decisão de não deixar as cassações de alguns parlamentares para o próximo ano. Em entrevista, Motta revelou que a medida visa evitar que esses processos se prolonguem até 2026, um ano eleitoral. Entre os deputados envolvidos estão Glauber Braga, Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro, cada um com suas particularidades.

A escolha de Motta e suas implicações

Motta explicou que, para os casos de Ramagem e Eduardo Bolsonaro, a Mesa Diretora decidiu não levar os processos ao Plenário, a fim de prevenir um “estresse institucional”. O caso de Ramagem decorre de uma condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada à tentativa de golpe de Estado, enquanto Eduardo já havia acumulado o número necessário de faltas para a perda do mandato, estando atualmente nos Estados Unidos.

Esse tipo de decisão, segundo Motta, não é simples e gera desconforto. “Ninguém se sente feliz em tomar essas decisões, mas é necessário enfrentar o tema”, afirmou.

Disputas e controvérsias

A deputada Carla Zambelli, que se encontra na Itália, teve seu caso analisado pelo Plenário, que inicialmente decidiu pela manutenção do mandato. Contudo, essa decisão foi derrubada pelo STF, que confirmou a suspensão do mandato e uma condenação de 10 anos de prisão por sua participação na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após essa reviravolta, Zambelli optou por renunciar.

Por sua vez, Glauber Braga enfrentou a análise do Conselho de Ética da Câmara por agredir um membro do Movimento Brasil Livre (MBL). Embora sua cassação tenha sido rejeitada, o Plenário decidiu pela suspensão de seu mandato por seis meses. O protesto de Braga, que ocupou a Mesa Diretora em um ato de resistência, gerou tensões que foram rapidamente contidas por Motta, que enfatizou que não tolerará esse tipo de comportamento.

O papel do Conselho de Ética

Motta também se pronunciou sobre o protesto realizado por parlamentares bolsonaristas em agosto, que levou à abertura de um processo no Conselho de Ética contra alguns deles. O presidente da Câmara afirmou que espera uma decisão “pedagógica” do colegiado, reafirmando que não haverá conivência com comportamentos inadequados. Essa postura é uma tentativa de restaurar a ordem e a disciplina na Casa, em um momento que requer decisões firmes e claras, especialmente no final do mandato legislativo.