Hugo Motta enfrenta pressão após polêmicas e decisões judiciais

Presidente da Câmara não consegue cassar Carla Zambelli e é criticado por aliados

Hugo Motta enfrenta pressão após polêmicas e decisões judiciais
Hugo Motta em evento no B Hotel em Brasília. Foto: Luis Nova/Especial Metrópoles — Foto: Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova

Hugo Motta não consegue avançar na cassação de Carla Zambelli e enfrenta críticas após decisões judiciais.

Hugo Motta sob pressão após decisões judiciais

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enfrenta um cenário de fragilidade política após a recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a negativa da Câmara em relação à cassação da deputada Carla Zambelli (PL-SP). A situação se agravou após Zambelli ser condenada a 10 anos de prisão pela invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Na terça-feira (9/12), Motta comunicou aos líderes partidários sua intenção de incluir a cassação de Zambelli na pauta, uma manobra que pegou muitos de surpresa, especialmente pela falta de acordos prévios. Essa decisão contrasta com a imagem de um presidente que se elegeu prometendo uma gestão consensual e previsível.

Motta optou por não decretar a perda de mandato de Zambelli automaticamente, enviando o caso para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde o relator Diego Garcia (Republicanos-PR) apresentou um parecer favorável à manutenção do mandato. Garcia alegou falta de certeza sobre a ocorrência de crimes e indícios de perseguição política, mas seu relatório foi rejeitado na quarta-feira (10/12) após uma manobra do União Brasil.

A nova proposta do deputado Claudio Cajado (PP-BA), que argumentou que Zambelli estaria impossibilitada de exercer seu mandato por estar presa na Itália, não conseguiu os votos necessários no plenário, resultando no arquivamento do processo de cassação. Essa falta de quórum foi interpretada como um sinal de desmobilização por parte de Motta, especialmente considerando que, pouco antes, o plenário havia alcançado o mínimo necessário para salvar o mandato de Glauber Braga (Psol-RJ).

Além da pressão política, o ministro Moraes determinou que Motta emposse o suplente Adilson Barroso (PL-SP) em um prazo de 48 horas, argumentando que submeter a perda de mandato ao plenário era uma violação constitucional, dado que Zambelli já havia sido condenada.

Críticas de aliados e adversários

As recentes derrotas no plenário tornaram Motta alvo de críticas não apenas de seus adversários, mas também de seus aliados. Arthur Lira, ex-presidente da Câmara e seu apoiador, expressou descontentamento em um grupo de WhatsApp, sugerindo que a Casa precisa ser reorganizada.

O líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), também criticou Motta, afirmando que a votação foi um marco histórico de fracasso para sua gestão. Para Farias, a tentativa de cassação de Zambelli foi mal planejada e impraticável, considerando as condições do plenário na madrugada da votação.

Motta, que enfrentava já um cenário complicado, agora vê sua liderança questionada tanto por aliados quanto por opositores, refletindo a dificuldade de articulação e mobilização dentro da Câmara. A fragilidade de sua posição é evidente, e muitos se questionam sobre sua capacidade de governar em um ambiente tão desafiador.

O futuro de Hugo Motta

Com a pressão aumentando e a confiança em sua liderança diminuindo, o futuro político de Hugo Motta se torna incerto. As críticas internas e a incapacidade de avançar em pautas importantes levantam questões sobre a eficácia de sua administração. O presidente da Câmara terá que encontrar uma maneira de restaurar sua autoridade e reconstruir alianças estratégicas, caso queira continuar à frente da Casa em meio a um cenário político cada vez mais hostil.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova