Medida foi adotada após deputado condenado viajar para os Estados Unidos, levantando preocupações sobre a participação legislativa.
Após a fuga de Ramagem para os EUA, Hugo Motta determina que deputados não possam votar do exterior.
Hugo Motta proíbe votação de deputados fora do Brasil
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tomou uma decisão crucial nesta terça-feira (25) ao proibir que deputados participem de atividades legislativas enquanto estiverem fora do território nacional. Essa ação ocorre em meio à repercussão da viagem do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) para os Estados Unidos, onde se encontra após ser condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por sua participação em um plano de golpe de Estado.
Com base em um parecer jurídico da Secretária-geral da Mesa, Motta determinou que Ramagem não pode registrar presença nem votar à distância enquanto estiver fora do Brasil. O parecer esclarece que apenas deputados em missão oficial autorizada pela Casa podem votar fora do país. “O exercício do mandato é, por natureza, presencial, exigindo, como regra, o comparecimento do deputado às sessões e reuniões”, afirma o documento.
Contexto da decisão
A decisão de Hugo Motta surge em um momento delicado, onde a presença de Ramagem em um país estrangeiro levanta questões sobre a responsabilidade e a ética no exercício do mandato. Ramagem, que vinha participando normalmente das votações na Câmara, apresentou um atestado médico para justificar sua ausência temporária entre os dias 9 de setembro e 8 de outubro, posteriormente renovado até 12 de dezembro. Contudo, a sua presença nos Estados Unidos, mesmo com restrições judiciais, gerou um clamor por uma resposta imediata.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, já determinou que a Polícia Federal tome medidas para solicitar a extradição de Ramagem, intensificando a pressão sobre o parlamentar, que deve agora enfrentar não apenas as consequências legais de sua condenação, mas também a possível cassação de seu mandato.
Implicações da nova regra
O parecer ressalta que, ao se ausentar do país, o deputado deve comunicar formalmente a Câmara. A ausência prolongada sem justificativa pode ser interpretada como desvio do regimento e possível “abuso de direito”, caracterizando “abandono das funções parlamentares”. Isso significa que os deputados agora devem ser mais cuidadosos em suas viagens internacionais, especialmente quando suas ações podem ser vistas como evasivas ou desonestas.
Além disso, essa mudança pode impactar a dinâmica legislativa, uma vez que parlamentares que costumam viajar para fora do Brasil poderão enfrentar limitações em suas atividades, o que pode reduzir a frequência de sua participação nas sessões legislativas.
Reações e próximas etapas
As reações à decisão de Hugo Motta têm sido variadas. Alguns apoiadores argumentam que a medida é necessária para garantir a integridade do processo legislativo, enquanto opositores veem a proibição como uma forma de controle excessivo sobre a liberdade dos parlamentares. A situação de Ramagem continua a ser monitorada de perto pelo público e pela mídia, à medida que as autoridades tomam providências para resolver a questão de sua extradição e a possibilidade de cassação de seu mandato.
Com essa nova diretriz, a Câmara dos Deputados busca não apenas regular a participação de seus membros, mas também reforçar a importância da presença física no exercício das funções parlamentares. A medida é um reflexo da necessidade de garantir que todos os representantes do povo estejam realmente comprometidos com suas responsabilidades no Brasil.





