IBGE registra avanço de apenas 0,1% no varejo em agosto e economistas projetam PIB negativo

Indústria e serviços também mostram fraqueza. Varejo ampliado recua 0,3% na média móvel trimestral, sinalizando desaceleração econômica.

IBGE registra avanço de apenas 0,1% no varejo em agosto e economistas projetam PIB negativo
Comércio varejista registra desaceleração em agosto. Foto: Roberto de Lira

Volume de vendas do varejo avançou apenas 0,1% em agosto, recuperando pequena fração da queda de 0,8% em julho. Economistas contabilizam possibilidade de PIB negativo no 3º trimestre.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (15) os dados da Pesquisa Mensal do Comércio referentes a agosto. O volume de vendas do varejo avançou apenas 0,1% na comparação mensal com julho, recuperando uma pequena fração da queda de 0,8% registrada no mês anterior.

O IBGE destaca que, após o primeiro trimestre de 2026 com crescimento saindo da faixa de estabilidade, o comércio tem experimentado resultados de queda em abril e julho, ou variações no campo positivo próximas a zero em maio, junho e agosto. No acumulado do ano até agosto, o varejo manteve crescimento de 1,7%.

Os dados do varejo ficaram abaixo das expectativas. A pesquisa da Reuters previa alta de 0,70% na comparação mensal e avanço de 1,45% sobre um ano antes.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, analisa que a composição do resultado do varejo reforça a leitura de fraqueza. O avanço do mês veio de equipamentos de informática e comunicação, com alta de 6,3%, outros artigos de uso pessoal e doméstico com 1,4%, e combustíveis com 1,1%.

Em contraste, a fraqueza se concentrou nos segmentos mais dependentes do crédito. Móveis e eletrodomésticos voltaram a recuar 4,2%, enquanto veículos e material de construção levaram o varejo ampliado ao campo negativo. Segundo Sung, este padrão é compatível com os juros elevados e a desaceleração do crédito.

“O consumo de bens essenciais segue sustentado pela resiliência do mercado de trabalho e pelas medidas recentes de estímulo, mas o ritmo de expansão permanece moderado, com o varejo restrito já dando sinais de perda de fôlego. O varejo ampliado recua 0,3% na média móvel trimestral e segue em perda de tração, reflexo do nível restritivo da política monetária.”

Os dados de agosto indicam enfraquecimento gradual da atividade econômica. O volume de serviços recuou 0,1% e a produção industrial caiu 0,6% em agosto ante julho. Segundo Sung, “mantemos a nossa projeção de estagnação da atividade econômica no 3T26 e crescimento do PIB de 1,8% para 2026”.