Ibovespa recua e dólar dispara em meio a decisões do Fed e Copom na Superquarta

Superquarta movimenta mercado global com manutenção de juros nos EUA e Brasil, afetando bolsa e câmbio

Ibovespa recua e dólar dispara em meio a decisões do Fed e Copom na Superquarta
Ibovespa na Bolsa de São Paulo – B3. Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg/Getty Images

Superquarta movimenta mercado com decisões do Fed e Copom; Ibovespa cai e dólar sobe acima de R$ 5,25.

Superquarta movimenta mercado global com decisões do Fed e Copom

A Superquarta movimenta mercado financeiro global em 18 de janeiro de 2026, quando tanto o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve dos Estados Unidos quanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil definiram suas políticas monetárias. O Ibovespa recuou 0,43%, fechando em 179,6 mil pontos, enquanto o dólar valorizou mais de 1%, cotado a R$ 5,25. Jerome Powell, presidente do Fed, adotou um tom mais rígido, sinalizando que não haverá cortes na taxa de juros caso a inflação não apresente progresso consistente.

Decisões do Federal Reserve causam impacto no câmbio e na bolsa

O Fed manteve a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75%, em linha com as expectativas do mercado. O comunicado destacou que a economia americana cresce a um ritmo sólido e que o mercado de trabalho permanece resiliente, com taxa de desemprego estável. No entanto, Jerome Powell reforçou que o progresso no combate à inflação ainda é insuficiente para cortes nos juros, o que provocou uma reprecificação dos ativos e fez o dólar disparar frente ao real. Bruno Shahini, especialista em investimentos, explica que a comunicação mais hawkish abriu a curva de juros nos EUA e reforçou a cautela dos investidores.

Copom reduz Selic e sinaliza cautela quanto a cortes futuros

No Brasil, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 pontos percentuais, fixando-a em 14,75% ao ano, conforme esperado pelos analistas. A decisão reflete uma estratégia de manutenção de controle inflacionário, mas com abertura para cortes graduais conforme o cenário econômico evolua. Essa postura cautelosa visa equilibrar a pressão inflacionária no país e os efeitos das condições externas, sobretudo a valorização do dólar e o impacto dos preços internacionais de commodities.

Alta do petróleo e tensão geopolítica pressionam mercados globais

O contexto internacional adiciona volatilidade ao mercado financeiro na Superquarta. O conflito bélico no Oriente Médio se intensificou, mantendo o Estreito de Ormuz bloqueado, o que contribuiu para a alta de 7,38% no preço do barril de petróleo Brent, negociado a cerca de 111 dólares. Esse aumento no custo da commodity gera incertezas para economias emergentes como a brasileira, impactando setores sensíveis ao preço do petróleo e elevando riscos para os investidores.

Desempenho negativo dos bancos influencia queda do Ibovespa

Entre os principais componentes do Ibovespa, as ações dos bancos sofreram perdas significativas. O Santander (SANB11) caiu 1,50%, o Bradesco (BBDC4) recuou 1,17%, Banco do Brasil (BBAS3) teve baixa de 1,10% e Itaú (ITUB4) terminou o pregão com queda de 1,01%. Esses resultados refletem a combinação da alta do dólar, o aumento dos juros e o cenário global desafiador, que afetam diretamente o setor financeiro e o apetite dos investidores por risco.

Perspectivas para o mercado após a Superquarta

A Superquarta mostrou que a combinação de decisões monetárias nos EUA e Brasil, aliada a fatores geopolíticos, mantém o mercado financeiro em alerta. A manutenção dos juros pelo Fed com discurso mais austero sugere continuidade na política de contenção da inflação americana, enquanto o Brasil adota uma postura mais gradual na redução da Selic. Investidores permanecem atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus efeitos no preço do petróleo, que podem influenciar a recuperação econômica e a dinâmica dos mercados emergentes nos próximos meses.