Igp-m sobe 0,52% em março e reflete impacto da guerra no Irã

Índice geral de preços mostra aceleração influenciada pela alta do petróleo e agropecuária, segundo FGV

Igp-m sobe 0,52% em março e reflete impacto da guerra no Irã
Carrinho vazio parado na frente das prateleiras com diferentes marcas de café e preços diversos no interior de um supermercado na cidade de Marília, no interior Foto: Carrinho vazio parado na frente das prateleiras com diferentes marcas de café e preços diversos no interior de um supermercado na cidade de Marília, no interior

IGP-M sobe 0,52% em março com alta do petróleo impulsionada pela guerra no Irã, aponta FGV.

O IGP-M sobe 0,52% em março, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) no dia 30. Esse avanço representa uma reversão após o recuo de 0,73% registrado em fevereiro, indicando como a guerra no Irã tem influenciado os preços, especialmente do petróleo, e consequente repercussão na economia nacional.

Análise detalhada da alta do IGP-M em março de 2026

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) é um indicador fundamental para o acompanhamento da inflação, calculando variações nos preços ao produtor, ao consumidor e na construção civil. Em março, o IGP-M acumulou uma alta de 0,52%, com destaque para o avanço do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que subiu 0,61% após queda no mês anterior.

Este aumento está fortemente relacionado ao impacto da guerra no Oriente Médio, que elevou as cotações do petróleo no mercado internacional. A intensificação do conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã aumentou a percepção de risco sobre a oferta global do petróleo, pressionando os preços dos derivados no Brasil.

Matheus Dias, economista do FGV IBRE, ressalta que a agropecuária também teve papel importante na aceleração do índice, com produtos como bovinos, ovos, leite, feijão e milho contribuindo para a alta do IPA. Além disso, o subgrupo de Produtos Derivados do Petróleo apresentou inflexão significativa, passando de queda de 4,63% em fevereiro para alta de 1,16% em março.

Impactos da alta do petróleo no índice de preços ao produtor e consumidor

A elevação dos preços dos derivados do petróleo reflete diretamente nos custos de produção e transporte, fatores que pressionam os preços no atacado e, consequentemente, no varejo. O IPA, que corresponde a 60% do IGP-M, atua como termômetro dessa pressão, indicando o sentimento de aumento de custos no setor produtivo.

No varejo, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) registrou estabilidade ao subir 0,30%, repetindo a taxa de fevereiro. Esse comportamento sinaliza que a alta dos preços ao produtor ainda não se traduziu de forma mais expressiva na ponta final do consumo, mas pode indicar tendências de ajustes futuros.

Já o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) apresentou avanço de 0,36%, demonstrando aumento nos custos relacionados ao setor da construção civil, o que pode impactar obras públicas e privadas.

A influência do contexto internacional na economia brasileira em 2026

A guerra no Irã, intensificada no início de 2026, tem provocado volatilidade nos mercados globais de commodities, especialmente no petróleo, que é um insumo estratégico para diversas cadeias econômicas. A percepção de risco na oferta elevou os preços internacionais, refletindo no IGP-M brasileiro.

Esse cenário evidencia a interconexão da economia nacional com o contexto global, onde conflitos geopolíticos têm efeitos imediatos sobre índices de preços e inflação. Agentes econômicos, incluindo produtores, consumidores e formuladores de políticas, monitoram esses indicadores para ajustar estratégias e políticas econômicas.

Perspectivas para os próximos meses considerando o cenário atual

Com o IGP-M acumulando deflação de 1,83% nos últimos 12 meses, a alta recente representa uma mudança de tendência que merece atenção. O comportamento dos preços nos setores de agropecuária e petróleo será determinante para os índices inflacionários futuros.

A continuidade do conflito no Oriente Médio ou novas escaladas podem ampliar as pressões nos preços do petróleo, potencializando impactos econômicos no Brasil. Por outro lado, estabilizações ou negociações podem mitigar essas influências.

O acompanhamento mensal do IGP-M e seus subíndices é essencial para compreender a dinâmica de preços e orientar decisões em contratos, financiamentos e políticas econômicas.

O IGP-M calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência, refletindo as condições econômicas vigentes nesse período.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br