Impacto da IA na Geração Z

Jovens veem inteligência artificial como chave para o futuro profissional, mas expressam receios.

Impacto da IA na Geração Z
Mônica Bergamo. Foto: Mônica Bergamo.

Pesquisa revela que a Geração Z vê a inteligência artificial como um diferencial na busca por emprego, mas teme a automação.

Um levantamento recente da pesquisa “Jovens, Inteligência Artificial e Mercado de Trabalho”, realizada pela agência de dados Nexus e encomendada pela Demà, revela uma nova perspectiva da Geração Z sobre a inteligência artificial (IA). Os jovens, com idades entre 14 e 29 anos, veem o domínio de ferramentas de IA como um requisito fundamental para a empregabilidade no cenário atual.

A Nova Era da Empregabilidade

De acordo com a pesquisa, 65% dos entrevistados afirmam que conhecer IA é essencial para o desenvolvimento em suas carreiras. Além disso, 84% acreditam que a inteligência artificial será um fator decisivo na hora de conseguir uma oportunidade de trabalho. Este panorama reflete uma mudança significativa na maneira como a tecnologia é percebida e utilizada por essa faixa etária.

A crescente demanda por qualificação na área é evidente, com 64% dos jovens indicando a intenção de realizar cursos focados em inteligência artificial. Essa busca por educação técnica está alinhada com o reconhecimento do Ministério da Educação (MEC), que atualmente valida 28 cursos de graduação relacionados à IA no Brasil. Em algumas instituições, esses cursos estão se tornando tão concorridos quanto os de medicina.

Temores em Relação à Automação

Entretanto, o entusiasmo da Geração Z não vem sem apreensões. Quase metade dos entrevistados (47%) expressa preocupações sobre os efeitos da automação no mercado de trabalho, temendo a possibilidade de perder empregos para máquinas. Além disso, 42% se mostram empolgados com as novas oportunidades que a tecnologia pode oferecer. Essa dualidade de sentimentos destaca a complexidade da relação dos jovens com a IA.

No âmbito educacional, a aceitação da IA como aliada no aprendizado é notável, com 70% dos jovens considerando a tecnologia uma ferramenta útil. As ferramentas de IA são amplamente utilizadas para pesquisas acadêmicas, com 83% dos entrevistados relatando seu uso, enquanto 71% as utilizam para auxiliar em tarefas e estudos. No entanto, 24% expressam preocupações sobre o uso excessivo da tecnologia, temendo que isso possa levar a uma dependência ou à diminuição do esforço pessoal necessário para aprender.

“A tecnologia é uma aliada poderosa da produtividade, mas não substitui o fator humano. A capacidade de analisar, criar e fazer as perguntas certas é o que fará a diferença”, afirma Juan Carlos Moreno, diretor da Demà, enfatizando a importância do componente humano no processo de aprendizagem e na aplicação de novas tecnologias.

A pesquisa, que ouviu 2.016 jovens entre 14 e 20 de julho em todas as 27 unidades da federação, teve uma margem de erro de dois pontos percentuais e um nível de confiança de 95%. Esses dados revelam não apenas a importância da inteligência artificial na formação profissional, mas também a necessidade de um diálogo contínuo sobre seus impactos no futuro do trabalho.

Fonte: redir.folha.com.br

Fonte: Mônica Bergamo