Impacto da venda da Warner no futuro dos shoppings brasileiros

Mudanças no setor de cinema podem refletir na dinâmica de consumo dos centros comerciais.

Impacto da venda da Warner no futuro dos shoppings brasileiros
Logo da Warner Bros. pode impactar o cenário dos shoppings brasileiros. Foto: Mike Blake

A possível venda da Warner para serviços de streaming pode afetar o modelo de negócios dos cinemas e, consequentemente, dos shoppings brasileiros.

O cenário atual do entretenimento está em constante transformação e a recente negociação envolvendo a Warner Bros. ilustra bem essa dinâmica. A possibilidade de a Warner ser adquirida por plataformas de streaming como Netflix ou Paramount levanta sérias preocupações sobre as consequências para o setor cinematográfico e, por extensão, para os shoppings brasileiros, que dependem da atração de público para suas operações.

Entenda o Contexto

Os cinemas têm sido uma das principais âncoras dos shoppings, atraindo visitantes e gerando fluxo de consumidores que, em muitos casos, acabam realizando compras ou consumindo em restaurantes e lojas durante ou após as sessões de filmes. A venda da Warner, se concretizada, pode alterar esse paradigma, pressionando ainda mais os cinemas, que já enfrentam dificuldades em um mercado saturado e em transformação.

A produção de conteúdos voltados para o streaming tem se tornado cada vez mais atraente para as grandes empresas de mídia, devido à possibilidade de atingir um público amplo com menor custo. Este movimento pode resultar em uma diminuição da oferta de filmes nas telonas, o que, por sua vez, pode afetar a frequência de público nos shoppings, que já está 22% abaixo dos níveis pré-pandêmicos, conforme dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

Detalhes

As discussões em torno da venda da Warner ganharam força recentemente, especialmente após a Netflix apresentar uma proposta de aquisição que inclui seus estúdios de produção e serviços de streaming, enquanto a Paramount apresentou uma oferta não solicitada. As associações de cinema no Brasil, como a Abraplex e a Feneec, manifestaram preocupações em relação à concentração de poder nas mãos de poucos grupos, o que pode levar a uma definição unilateral sobre lançamentos e janelas de exibição.

Os cinemas brasileiros já enfrentam um desafio, onde 60% do público prefere aguardar os lançamentos nos serviços de streaming, o que revela a pressão crescente sobre o modelo de negócios tradicional. Para mitigar essa situação, as associações estão pleiteando uma regulamentação que estabeleça um intervalo mínimo de exibição nas salas de cinema antes que os filmes se tornem disponíveis nas plataformas online.

Repercussão e Próximos Passos

O impacto da venda da Warner sobre os shoppings será um tema crucial para o setor. Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da consultoria Gouvêa Malls, destaca que o fluxo nas salas de cinema afeta diretamente o movimento nos centros comerciais. Uma queda na frequência dos cinemas pode resultar em uma perda significativa de público para os shoppings, que precisam de um fluxo constante de visitantes.

Por outro lado, há quem defenda que os shoppings têm se diversificado, oferecendo um mix de atrações que vai além do cinema, com opções de lojas, gastronomia e entretenimento, o que pode amortecer os efeitos de uma eventual diminuição na frequência das salas de exibição. Cláudio Sallum, sócio da Lumine, ressalta que o cinema representa apenas 8% do movimento total dos shoppings, e uma perda de 10% a 20% desse público não teria um impacto devastador.

No entanto, a necessidade de adaptação às mudanças no comportamento do consumidor permanece uma constante. A experiência de combinar um filme com um passeio e jantar no shopping é uma tradição entre os brasileiros. Portanto, a resiliência dos shoppings em face das mudanças do mercado de entretenimento será testada à medida que o setor continua a evoluir.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Mike Blake