Especialistas apontam inflação de alimentos e crédito caro como principais fatores da retração do consumo

Inadimplência avança no país apesar da queda do desemprego e recorde de massa salarial. Inflação de alimentos e juros altos travam o consumo
A inadimplência sobe no Brasil apesar do desemprego em baixa e da massa salarial em patamares recordes, informam especialistas.
De acordo com análises do mercado, o encarecimento de alimentos e as taxas de juros elevadas são os principais fatores que sustentam o crescimento da inadimplência nas carteiras das instituições financeiras e no crédito pessoa a pessoa.
Embora o mercado de trabalho tenha se aquecido nos últimos meses, com criação de postos de emprego e aumento real de salários, a inflação concentrada nos itens de consumo essencial reduz a capacidade de pagamento das famílias. Segundo especialistas, os gastos com alimentação avançam mais que a renda média, comprometendo o orçamento mensal.
O crédito mais caro também desempenha papel relevante no cenário. Com as taxas de juros em patamares elevados, pessoas físicas e pequenos empreendedores enfrentam dificuldades para refinanciar dívidas ou contratar novo financiamento. O efeito é a retração do consumo e o atraso em compromissos já assumidos.
Profissionais do setor financeiro destacam que a combinação de fatores cria pressão nas famílias. A renda, ainda que crescente, não acompanha a velocidade do encarecimento dos itens básicos de alimentação. Ao mesmo tempo, o custo do dinheiro nos bancos permanece elevado, limitando opções de refinanciamento.
Os dados de desemprego em queda e salários em alta ocultam, portanto, uma realidade mais complexa. Enquanto alguns segmentos ganham com a estabilidade laboral, outros enfrentam constrangimento na liquidez devido à inflação de componentes essenciais do orçamento doméstico.
Especialistas ressaltam que a inadimplência tende a permanecer em níveis elevados enquanto esses fatores não se revertam. O cenário depende da evolução da inflação de alimentos, das decisões sobre política monetária e da trajetória dos salários reais nos próximos meses.






