Indicação geográfica das tortas de Carambeí valoriza herança holandesa no Paraná

Tortas tradicionais ganham selo do INPI e impulsionam economia regional em Carambeí

Indicação geográfica das tortas de Carambeí valoriza herança holandesa no Paraná
As tortas de Carambeí ganharam Indicação Geográfica Foto: As tortas de Carambeí ganharam Indicação Geográfica

Tortas de Carambeí recebem selo de Indicação Geográfica do INPI, reforçando tradição holandesa e impulsionando turismo e economia local.

O Paraná chegou a 23 produtos reconhecidos oficialmente com Indicação Geográfica (IG), tendo as tortas de Carambeí conquistado recentemente o selo concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Essa certificação atesta a procedência, autenticidade e qualidade desse patrimônio gastronômico, que remonta à tradição holandesa iniciada em 1911 na região dos Campos Gerais.

A tradição das tortas de Carambeí

As tortas de Carambeí possuem mais de um século de história, trazida pelos imigrantes holandeses que estabeleceram a receita na região. Essas preparações se tornaram um símbolo cultural e econômico da cidade, com receitas transmitidas de geração em geração, preservando características artesanais e utilizando ingredientes locais de alta qualidade. A tradição resistiu ao tempo e se adaptou, ganhando versões contemporâneas sem perder sua essência.

Impactos econômicos e culturais da indicação geográfica

O selo de Indicação Geográfica agrega valor ao produto, fortalecendo a identidade regional e abrindo portas para novos mercados. Ele reconhece a combinação única de fatores naturais — solo, clima e vegetação — com processos tradicionais de produção. Para o turismo gastronômico, o reconhecimento funciona como um importante atrativo, evidenciando a cultura e a história locais. A consultora do Sebrae/PR, Nádia Joboji, ressalta que o selo impulsiona a competitividade dos pequenos negócios e fomenta o desenvolvimento regional.

Mobilização da comunidade e organização dos produtores

O reconhecimento pelo INPI foi resultado do esforço conjunto dos produtores locais, organizados na Associação dos Produtores de Tortas de Carambeí (APTC). Com apoio do Sebrae/PR, a associação realizou um levantamento histórico, cultural e sensorial, valorizando as receitas tradicionais que definem a identidade da cidade. Paulo Ricardo Los, presidente da APTC, destaca o orgulho da comunidade em levar as tortas para o Brasil inteiro, consolidando um legado afetivo e gastronômico.

Festival, capacitação e turismo na Capital Estadual das Tortas

Desde 2025, Carambeí é oficialmente reconhecida como a Capital Estadual das Tortas, reforçando sua vocação cultural. O tradicional Festival de Tortas, realizado desde 2010, atrai milhares de turistas e é uma vitrine para o município. A prefeitura investe na capacitação de novos torteiros, estimulando o empreendedorismo local e ampliando a participação da população nessa atividade econômica. Anualmente, o turismo gastronômico traz mais de 200 mil visitantes, consolidando a importância econômica e social das tortas para Carambeí.

Relevância para o turismo e identidade local

Christian Dykstra, diretor-administrativo da APTC, afirma que a Indicação Geográfica é fundamental para preservar a cultura e história do município, ao mesmo tempo que fortalece o turismo gastronômico. O selo é um convite para que visitantes desfrutem o que é genuinamente local, potencializando o desenvolvimento econômico, cultural e social.

Paraná na liderança das indicações geográficas no Brasil

Além das tortas de Carambeí, o Paraná possui 22 outros produtos com Indicação Geográfica, incluindo ostras do Cabaraquara, ponkan de Cerro Azul, broas de centeio de Curitiba, queijos coloniais de Witmarsum e café de Mandaguari. Em 2025, o estado bateu recorde com oito novos reconhecimentos, reafirmando seu protagonismo na proteção de produtos regionais e na valorização da diversidade cultural e gastronômica.

A certificação pela Indicação Geográfica representa para Carambeí e para o Paraná um marco importante, unindo tradição, qualidade e inovação para fortalecer a economia local e preservar o patrimônio cultural para as futuras gerações.