Indiciamento na PF expõe tensão entre Bolsonaro e Eduardo: “Falaria isso do Temer?”

Um relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelou momentos de tensão entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). O documento, que culminou no indiciamento de ambos, expõe o descontentamento de Eduardo ao ser chamado de “imaturo” pelo pai, levando-o a questionar se o mesmo tratamento seria dispensado ao ex-presidente Michel Temer (MDB).

Em uma das conversas registradas, Eduardo demonstra preocupação com as declarações de Bolsonaro sobre o apoio ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O deputado temia que a postura do pai pudesse prejudicar sua situação política nos Estados Unidos, evidenciando um racha na relação familiar.

A discussão teve início após Bolsonaro afirmar que o filho não era “tão maduro assim” para a política, em resposta às críticas trocadas entre Eduardo e Tarcísio. A declaração irritou o deputado, que não hesitou em proferir xingamentos ao pai, conforme consta no relatório da PF.

De acordo com a PF, Jair Bolsonaro e Eduardo foram indiciados pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. As investigações apuram ações de coação no curso da Ação Penal n° 2668, que tramita no STF e investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado ocorrida no Brasil entre 2022 e 2023.

A conversa tensa ocorreu em 15 de julho, poucos dias após o anúncio de tarifas de 50% sobre o Brasil pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Irritado com a entrevista, Eduardo se comparou a Temer, um interlocutor frequente de Bolsonaro, questionando: “Quero que vc olhe para mim e enxergue o Temer […] Vc falaria isso do Temer?” A PF também registrou mensagens de WhatsApp onde o deputado federal xingou o pai, chamando-o de “ingrato do caralho”.

Bolsonaro respondeu à provocação do filho afirmando que iria “resolver agora na CNN”, ao que Eduardo retrucou: “Ou não fale nada” e “me deixa de lado”. A troca de farpas revela um momento de fragilidade na relação entre pai e filho, em meio a investigações sobre o período em que Bolsonaro esteve no poder.

Fonte: http://www.metropoles.com

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