Comunidades reassentadas há meses convivem com escassez de água, riscos à saúde e promessas não cumpridas pela Itaipu Binacional

Comunidades indígenas Avá-Guarani em Terra Roxa enfrentam escassez de água, riscos à saúde e falta de infraestrutura básica após reassentamento.
Confira a situação das aldeias Avá-Guarani e o abastecimento de água
A crise hídrica em Terra Roxa afeta diretamente as três aldeias Avá-Guarani reassentadas na Fazenda Brilhante desde agosto de 2025. Nas comunidades Arapoty, Tekoha Koenju e a terceira aldeia, vivem juntas cerca de 56 famílias. O abastecimento de água é feito por caminhões-pipa que visitam as aldeias apenas duas vezes por semana, às segundas e sextas-feiras, fornecendo um total aproximado de 36 mil litros semanalmente. Isso equivale a menos de 20 litros diários por pessoa, muito abaixo dos 120 a 150 litros recomendados para consumo adequado. Quando a água fornecida acaba, moradores percorrem entre 700 e 800 metros para buscar fontes alternativas, como rios e minas, frequentemente contaminadas por agrotóxicos provenientes das lavouras vizinhas de milho e soja.
Impactos da escassez de água na saúde e na educação das comunidades indígenas
A escassez e a má qualidade da água estão provocando sérios impactos na saúde das famílias Avá-Guarani, sobretudo nas crianças, que adoecem devido ao uso de água contaminada. O risco de contaminação é agravado pelo descarte inadequado de animais mortos nas proximidades das nascentes. Além disso, a falta de água compromete a higiene pessoal e a limpeza de roupas, resultando em frequência irregular às escolas locais. Caciques das aldeias, como Anilton e Osvaldo, destacam que muitas crianças deixam de frequentar as aulas por não conseguirem se manter limpas e higienizadas.
Falta de infraestrutura básica e descumprimento das promessas pela Itaipu Binacional
Apesar de um acordo firmado em 2025 que prevê um aporte de R$ 240 milhões da Itaipu Binacional para reparação dos impactos causados pela construção da usina, as comunidades ainda enfrentam a ausência de moradias adequadas, energia elétrica, saneamento e estradas. A área da Fazenda Brilhante foi adquirida há cerca de um ano, mas as melhorias prometidas ainda não foram implementadas. A Itaipu informa que está em fase de formalização de convênio para construção de poços artesianos e instalação de sistemas de tratamento e distribuição de água, mas as ações ainda não resolveram a crise. Enquanto isso, medidas emergenciais, como fornecimento de caixas d’água, são adotadas.
Desafios logísticos e ambientais na recuperação das áreas indígenas reassentadas
As comunidades vivem isoladas devido à ausência de estradas, o que dificulta o acesso ao transporte escolar e a serviços essenciais. O trajeto até as fontes alternativas de água expõe moradores, especialmente idosos e crianças, a perigos como encontros com cobras. Ambientalmente, a região, anteriormente destinada ao cultivo intensivo de grãos, apresenta desafios como contaminação por agrotóxicos e ausência de fontes de água potável. A recuperação ambiental dessas áreas é parte das obrigações da Itaipu, mas o progresso ainda é lento diante da urgência das necessidades.
Expectativas das lideranças indígenas e próximos passos para garantir direitos
Os caciques das aldeias Avá-Guarani clamam por atenção das autoridades e cobram a implementação imediata das medidas previstas no acordo judicial para garantir água potável, moradia digna e infraestrutura básica. A definição das áreas indígenas conta com a participação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e órgãos competentes, mas a efetivação dos direitos ainda enfrenta entraves operacionais e falta de respostas satisfatórias. A situação atual evidencia a necessidade de maior comprometimento e agilidade para assegurar condições de vida dignas e sustentáveis às comunidades reassentadas em Terra Roxa.
A crise hídrica em Terra Roxa representa um desafio humanitário e ambiental que exige ações urgentes e coordenadas entre as instituições envolvidas para reparar danos históricos e garantir a dignidade dos povos indígenas Avá-Guarani.





