Indígenas tuxás enfrentam 27 km para acessar jurema sagrada

Mudanças climáticas agravam a escassez de plantas medicinais essenciais.

Mudanças climáticas forçam indígenas tuxás a caminhar 27 km para coletar jurema sagrada, essencial para suas práticas culturais e medicinais.

As mudanças climáticas têm trazido desafios significativos para os indígenas tuxás, que se veem obrigados a percorrer longas distâncias em busca da jurema sagrada, uma planta essencial para suas práticas culturais e medicinais. A escassez dessa planta e de outras ervas necessárias para rituais é agravada pela degradação do solo e a irregularidade das chuvas na região semiárida de Pernambuco.

A luta pela jurema sagrada

Em Inajá, Pernambuco, a realidade é dura. Os tuxás precisam caminhar 27 km até o topo de uma serra, onde ainda existe uma mata virgem que abriga as ervas sagradas que tanto necessitam. A pajé Anailio Inaê, que faz parte da primeira geração de pajés mulheres da etnia, relembra a dificuldade que seu povo enfrenta desde que chegou ao território, em 1988. O solo compactado e a falta de chuvas regulares tornam a cultivo de plantas medicinais quase impossível, levando a uma dependência ainda maior das poucas áreas preservadas.

O impacto das mudanças climáticas

As chuvas, que deveriam ser regulares ao longo do ano, têm se tornado cada vez mais erráticas, resultando em chuvas torrenciais seguidas de longos períodos de seca. A pajé Aline Tuxá explica como essas mudanças climáticas têm afetado não só a agricultura, mas também a disponibilidade de plantas medicinais essenciais para o tratamento de doenças. O desmatamento na região, que figura entre os municípios com mais terras indígenas desmatadas, agrava ainda mais a situação.

A tradição e a medicina indígena

A jurema possui um papel central na cultura tuxá, sendo utilizada em rituais importantes, como batismos e vigílias que conectam o povo aos seus ancestrais. A linha entre o sagrado e o medicinal é tênue; muitos dos chás e preparados feitos com a jurema são utilizados para tratar doenças físicas e espirituais. Com a escassez da planta, a pajé e outros membros da comunidade têm se esforçado para garantir que as tradições não se percam, como a criação de áreas de reflorestamento com plantas medicinais.

Esperanças para o futuro

Apesar das dificuldades, há uma esperança renovada entre os tuxás. Em 2026, os sinais de uma colheita melhor se mostram promissores, com a pajé relatando que algumas plantas começaram a florescer, indicando uma possível recuperação. O esforço coletivo para reflorestar e cuidar da terra é um testemunho da resiliência desse povo, que luta para preservar suas tradições e garantir o acesso às plantas que são fundamentais para sua cultura e saúde. A história dos tuxás é um exemplo de como as comunidades indígenas estão se adaptando às mudanças climáticas e buscando soluções sustentáveis para o futuro.